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Paulinho da Força liga reforma à reeleição de Bolsonaro

Paulinho liga reforma à reeleição de Bolsonaro
Paulinho: “Precisamos de uma reforma da Previdência que não garanta a reeleição do Bolsonaro”. Foto: Divulgação

Presidente licenciado da Força Sindical, o deputado Paulo Pereira da Silva (SD) afirmou nesta quarta-feira (1º), em São Paulo, durante o ato unificado pelo Dia do Trabalho das centrais sindicais, que está tentando conquistar apoios no Centrão para “desidratar” a reforma da Previdência.

Seu argumento é que a reforma, na proposta encaminhada pelo governo, que prevê economia de até de R$ 1 trilhão em dez anos, ajudaria na reeleição do presidente Jair Bolsonaro. “Precisamos de uma reforma da Previdência que não garanta a reeleição do Bolsonaro”, disse Paulinho.

A declaração provocou reação imediata do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), principal fiador da reforma no Congresso. Maia disse não acreditar que essa é uma posição de todo o Centrão. “Vou trabalhar para a economia de R$ 1 trilhão. Uma economia que garanta o pagamento das futuras aposentadorias e pensões, que garanta no prazo de três anos a geração de 8 milhões de empregos”, disse. “Não estou preocupado com a eleição de 2022.”

Durante a campanha presidencial do ano passado, Bolsonaro afirmou que, caso fosse eleito, pretendia “fazer uma excelente reforma política” e acabar com o “instituto da reeleição”. Após tomar posse, o presidente, no entanto, passou a admitir a possibilidade de concorrer a um segundo mandato. No início de abril, perto de completar 100 dias de governo,  afirmou que “a pressão” estava “muito forte” para disputar novamente o Palácio do Planalto.

As mais recentes pesquisas do Ibope mostraram que Bolsonaro tem a pior avaliação entre os presidentes eleitos em começo de primeiro mandato. A fatia que considera o atual governo ótimo ou bom foi de 35% em abril, abaixo de índices de presidentes anteriores, eleitos no período pós-redemocratização do país. A aprovação da reforma da Previdência é considerada fundamental para o desempenho do governo.

Nesta quarta-feira, Paulinho admitiu que a oposição hoje consegue reunir no máximo 140 votos no Congresso contra o projeto enviado pelo governo e, sozinha, não conseguiria barrar a reforma.

“Tenho atuado muito junto com os partidos de centro para que a gente possa ganhar a opinião daquele povo. Se fizermos uma reforma que dê R$ 1 trilhão em dez anos, significa que daríamos em três anos ao Bolsonaro R$ 330 bilhões. Ou seja, isso garante a reeleição dele. Esse é o discurso com muitos partidos que não têm interesse na eleição do Bolsonaro. É possível trazer esses partidos para a posição de desidratar a reforma”, afirmou.

A oposição avalia a ideia como positiva, mas com desconfiança quanto a sua viabilidade. “É uma boa ideia, mas não sei se é viável”, disse o deputado Rui Falcão (PT-SP). O líder do PCdoB na Câmara, Orlando Silva (SP), avalia que o Centrão pode rachar em relação à reforma. “Se o Congresso aprovar a reforma, Bolsonaro descarta estes deputados no dia seguinte. Ele já maltrata os parlamentares agora. Imagine se aprovar a Previdência”, disse.

ATO

Pela primeira vez todas as dez centrais sindicais se uniram no tradicional evento do 1° de Maio. Embora a pauta central fosse os direitos trabalhistas, quase todos os discursos foram críticos ao governo Bolsonaro. Os líderes sindicais prometem greve geral para 14 de junho, às vésperas da data em que as centrais calculam que a reforma será votada. Segundo os organizadores, 200 mil pessoas passaram pelo Vale do Anhangabaú, em São Paulo.

 

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