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Venda de imóveis volta a crescer no ABC após quatro anos

Venda de imóveis volta a crescer no ABC após quatro anosO mercado imobiliário da região interrompeu quatro anos consecutivos de queda nas vendas e retomou a trajetória ascendente em 2018, ainda que a retomada dos negócios seja incipiente.

Levantamento divulgado nesta terça-feira (16) pela Associação de Construtores, Imobiliárias e Administradoras de Imóveis do ABC (ACIGABC) revela que as empresas comercializaram 2.647 unidades verticais novas no ano passado, com alta de 7,7% ante o total vendido em 2017 (2.457).

O aumento recupera apenas parte das perdas observadas entre 2014 e 2017, período no qual a queda acumulada nas vendas de imóveis novos na região superou 75%.

Para o presidente da ACIGABC, Marcus Santaguita, a alta reflete a ligeira redução nos juros do crédito imobiliário, a inflação sob controle e a melhora no humor dos consumidores, decorrente do “aumento da confiança na manutenção do emprego e da renda, o que incentivou quem estava indeciso a voltar ao mercado”.

Apesar da retomada dos negócios em 2018, a pesquisa revela queda no Valor Geral de Vendas (VGV), que somou R$ 855,2 milhões, ante R$ 903,6 milhões no ano anterior. Segundo Santaguita, a retração de 5,4% pode ser explicada pela redução no tíquete médio observada nos últimos anos.

No ano passado, predominaram no ABC as vendas os imóveis de dois dormitórios (80,6% do total) e aqueles com área útil até 65 m² (74,2%).

LANÇAMENTOS CAEM

No sentido contrário, a pesquisa registrou queda de 64,9% no número de lançamentos na passagem de 2017 para 2018, para 1.298 unidades. Trata-se do patamar mais baixo da história do levantamento, que traz dados desde 2004. “Essa queda ainda reflete o baixo grau de confiança dos empresários setor em relação à situação política do país”, disse Santaguita, durante a divulgação dos dados na sede da ACIGABC, em São Bernardo.

Entre os cinco municípios acompanhados pela pesquisa – que não traz dados sobre Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra –, Mauá e São Caetano tiveram as maiores quedas no volume de lançamentos (82,8% e 78,3%, respectivamente).

Em Mauá, segundo Santaguita, a aprovação da Termo de Compensação Urbanística (TCU) – que estabelece acréscimo de 10% sobre o custo total de construções acima de cinco unidades – inibiu a produção imobiliária. “As empresas lançaram aquilo que conseguiram aprovar (na prefeitura) antes da aprovação da lei. É um caso clássico de poder público interferindo no mercado”, criticou.

No caso de São Caetano, o presidente da ACIGABC culpou Plano Diretor e Lei de Uso, Ocupação e Parcelamen­to do Solo (Luops) aprovados durante a administração de Paulo Pinheiro (MDB), mais restritivos. “Daqui para frente, a tendência é de a cidade ter cada vez menos lançamentos”, disse.

Santaguita revelou que a situação também é delicada em São Bernardo, que restringiu os coeficientes de construção (índice que define a quantidade de área que pode ser erguida sobre cada terreno) na administração de Luiz Marinho (PT). No ano passado, a associação iniciou negociação com a prefeitura para alterar a legislação que estabelece regras para uso e ocupação do solo na cidade, mas ainda não houve acordo.

Como resultado do aumento nas vendas e da queda no número de lançamentos, o estoque de imóveis na região diminuiu 64,8%, para 1.085 unidades em dezembro de 2018. “No ano passado, as empresas mantiveram-se focadas na venda de estoques, ao invés de se concentrar em lançamentos”, disse Santaguita.

O presidente da ACIGABC destacou que o momento ainda é propício para a aquisição de imóveis, apesar de o preço médio por metro quadrado na região ter subido 11,3% em termos reais (acima da inflação) em 2018, para R$ 6,5 mil. “Quem quer comprar um imóvel tem de aproveitar o estoque remanescente, pois a nova leva de lançamentos certamente terá preços mais elevados”, afirmou.

Santaguita ressaltou ainda que o porcentual de distratos caiu para 10% das vendas no ABC, depois de ter alcançado 30% em anos anterior. O dirigente lembrou que a Lei do Distrato foi sancionada pelo então presidente Michel Temer nos últimos dias de 2018 e, portanto, ainda não teve impacto no mercado. “A queda pode ser explicada pelo menor número de entregas e pela postura mais flexível dos bancos na concessão de crédito. Até 2017, de cada dez fichas entregues na agência, o banco recusava sete. Agora, a restrição diminuiu”, disse.

A ACIGABC projeta a retomada mais expressiva das vendas e dos lançamentos na região a partir de 2020, mas a intensidade dessa reação vai depender da aprovação de reformas pelo governo, em especial da Previdência.

“A reforma da Previdência não impacta diretamente na construção, mas melhora o humor dos agentes financeiros que concedem crédito ao setor. A aprovação vai melhorar o apetite por investimentos, principalmente de fundos estrangeiros”, disse Santaguita.

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