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Governo lança pacote tenta conter nova greve de caminhoneiros

Governo lança pacote tenta conter nova greve de caminhoneiros
Freitas: “Não se trata de ficar refém (dos caminhoneiros). Eles pedem tão pouco”. Foto: Antonio Cruz/ABr

Na tentativa de atender a demandas dos caminhoneiros, que ameaçam nova paralisação, o governo federal anunciou uma série de medidas em favor da categoria, depois de o presidente Jair Bolsonaro (PSL) determinar o cancelamento do aumento do diesel pela Petrobras. O problema é que os caminhoneiros aparentemente não concordaram com o governo e acham que as medidas são apenas uma forma de protelar a greve que discutem há alguns dias.

Entre as medidas está a liberação de R$ 500 milhões em financiamento para quem tem até dois caminhões,  com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), em uma linha de crédito para manutenção dos veículos. Cada motorista terá direito a um empréstimo de até R$ 30 mil, mas as condições de crédito, como as taxas de juros e o prazo para pagamento, não foram detalhadas.

O Ministério de Infraestrutura afirmou que vai usar R$ 2 bilhões desbloqueados do Orçamento da pasta para conclusão de obras importantes e manutenção de rodovias consideradas essenciais, como a BR-163, que liga o Rio Grande do Sul ao Pará, iniciada em 1970.

O ministro de Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, também voltou a falar do Cartão Caminhoneiro, criado pela Petrobrás em março, para “congelar” o valor do diesel no momento da compra e dar mais previsibilidade aos motoristas. O produto, porém, ainda foi pela BR Distribuidora, a empresa distribuidora de combustíveis da Petrobrás. Ao anunciá-lo em março, a empresa disse que o lançaria em 90 dias.

O governo quer ainda construir uma referência de piso para o preço do frete rodoviário. Depois da paralisação de maio do ano passado, em que houve crise de abastecimento em todo o país, o governo do ex-presidente Michel Temer chegou a propor uma tabela de frete, mas a medida enfrenta batalha judicial e ainda deve ser analisada pelos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Indústria e agronegócio afirmam que a medida é inconstitucional.

“A discussão do frete é uma coisa que todos têm razão, embarcador e caminhoneiro. O embarcador paga caro e o caminhoneiro ganha pouco. Onde está o dinheiro?”, questionou Freitas.

PARADAS

O governo também se comprometeu a incluir nas novas concessões de rodovias federais pontos de paradas obrigatórias e construir esses lugares, onde os caminhoneiros podem parar para dormir e cozinhar, até mesmo nas rodovias já concedidas. Também foram anunciadas medidas para desburocratização, como a entrada em vigor neste mês do documento eletrônico de transporte e a prorrogação de cinco para dez anos da validade das carteiras de motorista, a  Carteira Nacional de Habilitação (CNH).

Além da BR-163 que prometeu pavimentar até Miritituba (PA), o ministro da Infraestrutura anunciou que o governo vai recuperar trecho da BR-135 (de Estiva a Bacabeira, no Maranhão), duplicar a BR-101 (Bahia) e e a BR-116 (Rio Grande do Sul).

“Não se trata de ficar refém (dos caminhoneiros). Eles pedem tão pouco: condição de estrada boa, poder descansar onde tenham segurança. O que custa atender a esse pleito? Vontade”, disse Freitas, que considerou os pleitos “justos” e salientou que foram “construídos na base do diálogo”.

 

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