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Doações de mais de R$ 3,5 bilhões garantem recuperação da Notre-Dame

Doações de mais de R$ 3,5 bilhões garantem recuperação da Notre-Dame
Reconstrução da catedral pode levar duas décadas de trabalho meticuloso e reestruturação. Foto: Reprodução

Industriais, empresários bilionários e pessoas comuns já doaram mais de € 800 milhões (R$ 3,52 bilhões) para ajudar a restaurar a Catedral de Notre-Dame, em Paris, e estima-se que a marca do bilhão de euros seja facilmente superada.

Apesar das doações, especialistas afirmam que a reconstrução do prédio pode levar “décadas” e ter um valor incalculável após o incêndio que destruiu dois terços do telhado de madeira da igreja, que começou a ser construída em 1163.

Altruísmo não é o único motivo para as generosas doações. As empresas doadoras esperam ter seu nome em destaque na futura Catedral de Notre-Dame, e vão se beneficiar de pesada redução de impostos sobre as contribuições. Indivíduos na França podem obter desconto de 66% em doações de caridade.

As empresas podem deduzir 60% de suas despesas de patrocínio corporativo dos impostos, o que incluiria a assistência à catedral. O montante de isenção fiscal está limitado a 0,5% do volume de negócios das empresas – o que, para a maioria dos grandes doadores, ainda está distante de ser atingido.

As três famílias mais ricas da França lideraram a campanha de arrecadação de fundos e foram as primeiras a anunciar as doações. A família Pinault, que opera o conglomerado de luxo Kering, dono de Gucci, Puma e Yves Saint Laurent, foi a primeira a vir a público, ainda na segunda-feira, e prometeu € 100 milhões (R$ 440 milhões).

A empresa francesa de cosméticos L’Oréal doará € 200 milhões (R$ 880 milhões). A LVMH, holding que detém marcas como Moët et Chandon e Louis Vuitton, prometeu doar € 200 milhões. A família Bernard Arnault, proprietária do grupo LVMH, propôs, além da ajuda financeira, colocar à disposição “suas equipes criativas, arquitetônicas e financeiras”. As três dinastias invocaram o patriotismo e compartilharam a identidade cultural para explicar sua generosidade após o incêndio.

Outras empresas francesas também prometeram grandes cheques: a petrolífera Total garantiu € 100 milhões. Martin Bouygues, proprietário do grupo Bouygues, e seu irmão Olivier disseram estar “muito afetados” e farão doação de € 10 milhões, mesmo valor doado pelo empresário Marc Ladreit de Lacharrière (Fimalac) “para a reconstrução do pináculo”. Os principais bancos franceses, como Crédit Agricole, Société Générale, BNP Paribas, Crédit Mutuel e CIC também farão doações.

Analistas ouvidos pela imprensa francesa afirmaram que o impulso de solidariedade sem precedentes se deve à importância da Notre-Dame, mas também à oportunidade de capitalizar com o marketing em cima da reconstrução. “Notre-Dame é um símbolo único, ocupa uma posição completamente excepcional na cultura francesa, daí a comoção provocada pelo desastre e a grande mobilização”, afirmou François Debiesse, chefe da associação Admical, que promove o mecenato corporativo na França.

“Claro que a oportunidade de contribuir para uma obra deste tamanho e ter destaque na reconstrução pesa, mas o que essas empresas querem é que seu legado faça parte do futuro da Notre-Dame”, afirmou.

Não apenas as empresas querem participar. Horas depois de o incêndio ter sido controlado, dezenas de campanhas particulares começaram a surgir pela internet. A solidariedade ultrapassou as fronteiras francesas.

Na Costa do Marfim, o rei de Krindjabo, a capital do reino de Sanwi, no sudeste do país, prometeu doação. Um príncipe de seu reino foi batizado na catedral no século 18. A cidade húngara de Szeged também doará € 10 mil porque, em 1879, Paris ajudou a reconstruir o local, no sul da Hungria, devastada por uma inundação.

Ontem, o presidente da França, Emmanuel Macron, prometeu que fará todos os esforços para “reconstruir a catedral em até cinco anos”. “Vamos reconstruí-la, e vai ser ainda mais bonita”, afirmou, em discurso na televisão.

Apesar do otimismo de Macron e da rapidez para levantar fundos, especialistas afirmaram ontem que a reconstrução da catedral pode levar duas décadas de trabalho meticuloso e reestruturação. “O custo será inimaginavelmente alto, vai requerer um exército de arqueólogos, restauradores, arquitetos e milhares de operários”, disse à CNN Paul Binski, professor de história da arte medieval da Universidade de Cambridge, no Reino Unido. “Sem dúvida, vale cada centavo.”

 

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