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‘O Exército não matou ninguém’, diz Bolsonaro

Depois de seis dias de silêncio, o presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), afirmou nesta sexta-feira (12) que foi um “incidente” a morte do músico Evaldo Rosa dos Santos, de 46 anos, no domingo, quando o carro da família foi metralhado por 80 tiros disparados por militares do Exército no Rio. Em entrevista durante inauguração do Aeroporto de Macapá, ele disse que o Exército “não matou ninguém” e a instituição não pode ser acusada de ser “assassina”.

No domingo, dez militares dispararam contra um veículo em Guadalupe, na zona norte do Rio, que supostamente foi confundido com um automóvel em que estariam criminosos. No carro estavam o músico e sua família. Evaldo morreu no local e duas pessoas ficaram feridas. “O Exército não matou ninguém. O Exército é do povo. A gente não pode acusar o povo de assassino. Houve um incidente. Houve uma morte. Lamentamos ser um cidadão trabalhador, honesto”, afirmou o presidente.

“Está sendo apurada a responsabilidade. No Exército sempre tem um responsável. Não existe essa de jogar para debaixo do tapete”, prosseguiu Bolsonaro em Macapá.

Em Washington, nos Estados Unidos, para uma reunião do Grupo de Ação Financeira Internacional, o ministro da Justiça, Sérgio Moro, evitou comentar a fala do presidente, e chegou a falar em “questão de terminologia”, mas classificou o fuzilamento no Rio como um “incidente lamentável”. “O que é importante ali é que o Exército está fazendo as apurações necessárias, inclusive os responsáveis estão presos.”

Pedido negado

Nove militares estão detidos. Na quinta-feira,  entraram com um pedido de liberdade no Superior Tribunal Militar (STM). No texto, a defesa alegou que se trata de “um suposto crime em tese” e “sem qualquer investigação a comprovar sua existência” e sem indicar que tipo de “fato ou atos estariam ou teriam realizado” os militares.

A defesa destaca também que os fatos se deram “em área sob administração militar” e os acusados “se encontravam em patrulhamento regular de proteção de uma vila de sargentos, cujo entorno é cercado de comunidades conflagradas com diversas ameaças, violência e até ataques às guarnições”.

Nesta sexta, o ministro do Superior Tribunal Militar Lúcio Mauro de Barros Góes manteve a detenção. Ele destacou que, no caso em questão, foram “desrespeitadas as regras de engajamento que devem pautar a atuação dos militares, o que culminou na prática delitiva”. Afirmou ainda que se encontra “ausente no pedido o fumus boni juris (fumaça do bom direito), posto que, de plano, não há aparência de ilegalidade na decisão impugnada, inviabilizando uma medida cautelar”.

Vice

Em entrevista à Rádio CBN, também ontem, o vice-presidente da República, Hamilton Mourão, foi confrontado em relação ao caso e disse que “sob forte pressão e sob forte emoção ocorrem erros”. No mesmo diálogo, acrescentou que os 80 tiros foram dados “sem precisão”. Caso contrário, não haveria sobreviventes.

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