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Prédios erguidos por ordem da milícia caem e matam 5 no Rio

Duas pessoas morrem em desabamento de dois prédios no Rio; há desaparecidos
Prédios desabam na comunidade da Muzema, na Zona Oeste do Rio. Foto: Divulgação/ COPRJ

Atualizado às 23h

Dois prédios construídos ilegalmente na Muzema, região da zona oeste carioca dominada por uma milícia, ruíram nesta sexta-feira (12), matando ao menos cinco pessoas e ferindo dez. Até a noite, bombeiros ainda trabalhavam nos escombros, à procura de 13 desaparecidos. A prefeitura decidiu interditar e demolir outros três edifícios, também supostamente erguidos sob ordens de milicianos.

O desastre foi mais um dos capítulos da ascensão, no Rio, de grupos paramilitares, com ligações nas polícias e sob proteção de políticos. Dominam regiões pobres, onde se dedicam à especulação imobiliária. Invadem terras, constroem edi­fícios e vendem imóveis.

Bombeiros resgataram dos destroços os corpos de Raimundo Nonato do Nascimento, 40 anos, de dois adultos e de uma criança cujas identificações não foram divulgadas até o início da noite. O pastor Cláudio Rodrigues, 41, foi achado vivo, mas morreu depois, no Hospital da Unimed.

Os prédios faziam parte do Condomínio Figueiras do Ita­nhangá, zona oeste. Foram construídos irregularmente em uma Área de Proteção Ambiental (APA), perto de uma encosta. A área era considerada de risco iminente de deslizamento. Três dias antes, a região foi duramente castigadas por um temporal que deixou dez mortos no município.

“O solo está totalmente encharcado pela quantidade de água que caiu das encostas, e isso vai levando material que está embaixo do prédio, descalçando a fundação”, alertou Maria Elizabeth da Nóbrega Tavares, do Departamento de Estruturas e Fundações da Fa­culdade de Engenharia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). “Considerando que são projetos fora dos padrões, eu diria que o risco (de desabamento de outras estruturas) é iminente.”

A Defesa Civil interditou o local em fevereiro, mas as cons­truções estavam interditadas pela Secretaria Municipal de Urbanismo desde novembro de 2018. Ainda assim, os apartamentos continuaram a ser vendidos por preços que iam de R$ 40 mil a R$ 100 mil. Os moradores sabem que as construções são irregulares, mas afirmam que essa era sua oportunidade de ter uma casa própria. As vendas são feitas sem registros em cartório.

INTERDIÇÃO

A prefeitura informou que as primeiras ações de interdição do condomínio são de outubro de 2005. Segundo a Secretaria Municipal de Urbanismo, todas as construções do local são clandestinas e, por isso, toda a área foi embargada. De acordo com a prefeitura, desde 2005 foram emitidos 17 autos de infração para cons­truções irregulares no mesmo condomínio. A Defesa Civil foi ao local e interditou o condomínio. Em 8 de fevereiro, o órgão esteve de novo no local, constatando a situação irregular e o risco de deslizamento.

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