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Comida e transporte pesam, e inflação oficial tem alta de 0,75%

Comida e transporte pesam e inflação tem alta de 0,75%
Feijão é maior vilão na alta da inflação: subiu 105% este ano. Foto: Arquivo

O aumento nos custos dos transportes e alimentos pesou no bolso das famílias em março. A inflação oficial acelerou a 0,75%, o pior resultado para o mês desde 2015, segundo dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado nesta quarta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O desempenho dos preços foi ainda pior que as previsões mais pessimistas de analistas do mercado financeiro ouvidos pelo Projeções Broadcast, que estimavam inflação mediana de 0,63%. No entanto, especialistas acreditam que não houve mudança no cenário inflacionário e que a tendência permanece de desaceleração.

“Por mais que agora tenha ocorrido um pico, e isso é sazonal, há expectativa de que os próximos meses compensem essa alta”, afirmou o economista-chefe da agência classificadora de risco Austin Rating, Alex Agostini. “A alta veio muito forte e o IPCA pode até sofrer algum ajuste de 3,9% para 4% ao final do ano, mas isso ainda não muda o sentimento de que é necessário reduzir a taxa de juros”, complementou.

A agência espera que a taxa básica de juros, a Selic, seja reduzida dos atuais 6,5% ao ano para 6% ao ano até o fim de 2019.

Embora tenha surpreendido, o resultado do IPCA de março trouxe pressões pontuais, como os aumentos dos combustíveis e choques de oferta decorrentes de condições climáticas desfavoráveis. Ainda não há pressão de demanda sobre os preços, garantiu o IBGE.

“Não houve aumento de demanda, que ainda está contraída. As pessoas ainda estão tímidas em relação a consumo. O mercado de trabalho tem aumento na desocupação, no desalento, isso tudo contribui para que famílias empreguem seus rendimentos no que é essencial, alimentação, habitação… O que não é essencial elas acabam não consumindo: uma roupa que pode comprar depois, um cinema que pode postergar, jantar fora”, justificou Fernando Gonçalves, gerente do Sistema Nacional de Índices de Preços do IBGE.

Os aumentos em alimentação e transportes responderam por 80% da inflação de março. Os custos da alimentação fora de casa, que sofre influência da demanda, subiram apenas 0,10%. No entanto, os alimentos vendidos nos supermercados para consumo no domicílio aumentaram 2,07%. As famílias pagaram mais pelo tomate, batata-inglesa, feijão-carioca e frutas. “Se chove muito estraga e se fica muito quente também estraga”, lembrou o pesquisador do IBGE.

SAZONALIDADE

Segundo o coordenador do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Getulio Vargas (FGV), André Braz, os preços dos alimentos in natura tiveram elevação sazonal, mas já começam a mostrar arrefecimento no atacado, movimento que deve chegar em breve ao varejo. “Toda essa parte da alimentação in natura já começou a aliviar. Isso vai chegar no consumidor com certeza”, afirmou.

Apenas seis itens foram responsáveis por mais da metade da inflação de 1,51% acumulada no primeiro trimestre de 2019. O maior vilão foi o feijão-carioca, que já aumentou 105% somente este ano. As demais pressões foram de cursos regulares, ônibus urbano, batata-inglesa, frutas e plano de saúde.

Sob pressão, a taxa acumulada em 12 meses pelo IPCA também acelerou na passagem de fevereiro para março, passando de 3,89% para 4,58%, acima do centro da meta de 4,25% perseguida pelo Banco Central. Porém, para o pesquisador do IBGE, a inflação mostrará melhor a tendência dos preços depois que sair dessa conta o impacto da greve de caminhoneiros, que elevou o IPCA do mês de junho de 2018 a um pico de 1,26%.

“Quando a taxa em 12 meses estiver sem esse evento pontual (ocorrido em junho de 2019), a gente vai ter uma ideia melhor de como esses 12 meses (de trajetória da taxa) estão se comportando”, ponderou Gonçalves.

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