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Assembleia cria ‘auxílio-carro’ para deputado que abrir mão de veículo

Assembleia cria 'auxílio-carro' para deputado que abrir mão de veículo
Carla organizou abaixo-assinado para que os parlamentares que residam a menos de 100 km de distância da Assembleia abram mão do veículo. Foto: Divulgação

A Assembleia Legislativa vai criar um “auxílio-carro” de R$ 4.244 mensais para os deputados que decidirem abrir mão do veículo da frota da Casa e optar pelo aluguel. A resolução apresentada pela Mesa Diretora, que ainda será votada no plenário, prevê que o valor será acrescido aos R$ 33,1 mil a que cada parlamentar tem direito por mês como verba de gabinete. Isso vai gerar custo anual de R$ 5 milhões aos cofres públicos.

No ano passado a Assembleia de São Paulo gastou R$ 1,8 milhão com a manutenção dos automóveis de modelo Chevrolet Cruze. Segundo a assessoria da Casa, o objetivo é extinguir a frota parlamentar em um ano. Os veículos serão doados ao Fundo Social de Solidariedade do Estado de São Paulo.

Atualmente, dez deputados da atual legislatura abriram mão de utilizar os veículos oficiais, que estão parados na garagem da Assembleia. A resolução, porém, enfrenta resistência de parte dos parlamentares.

Para o deputado Daniel José (Novo), seria mais adequado que o custo com o aluguel de carros fosse descontado da verba de gabinete já existente, sem que houvesse acréscimo de gastos. “Não é papel do Estado gerir frota de carro. Esse é o ponto central. Essa quantia será acrescida à verba, sendo que os deputados já têm cota de R$ 33 mil por mês”, afirmou o parlamentar. Os quatro deputados da bancada do Novo abriram mão do carro oficial.

Daniel José disse considerar o valor de R$ 4.244 elevado. “Com R$ 2 mil por mês é possível alugar um carro básico com ar-condicionado. Não precisa ser carro de luxo”, afirmou.  O deputado ressaltou ainda que, além do custo do veículo, são gastos R$ 6.500 mensais com cada motorista, já que os deputados são proibidos pelo regimento de conduzir o carro. “A maioria (dos motoristas) fica parada o dia todo no estacionamento”, afirmou.

A bancada do Novo também questiona o fato de o deputado ter a prerrogativa de decidir onde alugar o veículo, ao invés de a Casa fechar contrato em escala.

Líder do PSDB na Assembleia, a deputada Carla Morando – que tem base eleitoral em São Bernardo – também abriu mão do veículo da Casa. A tucana organizou abaixo-assinado, que já recebeu 5 mil assinaturas, para que os parlamentares que residam a menos de 100 km de distância da Assembleia abram mão do veículo. “Austeridade financeira tem sido item fundamental em administrações públicas. Trata-se de um dever com a sociedade”, afirmou.

Dos 94 deputados eleitos, 59 têm base a menos de 100 km da Assembleia – 62% do total. A economia com a medida, segundo Carla, seria de R$ 5 milhões, uma vez que proporcionaria fim dos gastos com combustível e manutenção. No mandato total, a contenção financeira seria em torno de R$ 20 milhões.

‘DEMAGOGIA’

O deputado Emidio de Souza (PT) classificou a proposta de extinguir a frota como “demagógica”. “Para os deputados de família rica ou classe média, o carro não faz falta, mas para quem não é, faz. Não concordo com a extinção da frota. Acho uma medida demagógica”, disse. Emidio também ponderou que os carros não duram para sempre e, cedo ou tarde, têm de ser substituídos.

A deputada Janaina Paschoal (PSL) também é contra a extinção da frota. “Uso meu carro próprio, mas o veículo da Assembleia é usado para trabalho de gabinete”, disse.

Outra possibilidade ventilada por deputados é o uso de transporte por aplicativo. Essa ideia, porém, é rejeitada por parlamentares que moram longe da Capital. Os deputados ainda têm direito a auxílio-moradia no valor de R$ 2.850. O orçamento de 2019 da Alesp é de R$ 1,3 bilhão. Procurada, a assessoria da Assembleia Legislativa informou que a atual frota foi adquirida há oito anos e possui, em média, 350 mil quilômetros rodados.

 

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