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Câmara do Rio abre processo para afastar prefeito Crivella

Câmara do Rio abre processo para afastar Crivella
Crivella afirmou que Reis “foi exonerado recentemente” da prefeitura e sugeriu que o servidor fez o pedido como retaliação. Foto: Reprodução/TV

O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (PRB), vai ser investigado por crime de responsabilidade e pode ser cassado. A Câmara Municipal aprovou nesta terça-feira (2), por 35 votos a 14, a instalação de comissão que terá 90 dias, a partir da notificação do prefeito, para investigar a denúncia e produzir relatório pedindo o impeachment ou não de Crivella.

Crivella teve sorte na escolha do trio que vai compor a comissão processante. Dois dos três vereadores sorteados são seus aliados e votaram contra a investigação que vão comandar.

A denúncia foi protocolada na segunda-feira pelo fiscal Fernando Lyra Reis, que atua na Secretaria Municipal de Fazenda. Reis acusa Crivella de irregularidade na renovação de contrato de publicidade em pontos de ônibus, relógios e outros mobiliários, que teria resultado em prejuízo à prefeitura estimado em quase R$ 30 milhões.

Em texto e vídeo veiculados pelas redes sociais, Crivella afirmou que Reis “foi exonerado recentemente” da prefeitura e sugeriu que o servidor fez o pedido como retaliação, e negou qualquer irregularidade. O prefeito disse que a renovação do contrato com as empresas foi recomendada por técnicos da Secretaria de Fazenda e por parecer da Procuradoria Geral do Município.

“A prefeitura não teve nenhum prejuízo. Pelo contrário, recebeu muitos recursos por causa desse aditivo”, disse Crivella. Em mensagem enviada aos vereadores, Reis desmentiu: “Eu não fui demitido, sou estatutário.”

SEM APOIO

A perda de apoio a Crivella na Câmara já havia se evidenciado no último dia 26, quando faltou apenas um voto para a aprovação de mudança na Lei Orgânica do Município, em que seria instituída eleição indireta para prefeito em caso de vacância do cargo nos dois últimos anos de mandato. Hoje, a eleição só é indireta quando essa situação ocorre durante o último ano.

O vereador Paulo Messina (PROS), deixou o cargo de secretário da Casa Civil para votar a favor de Crivella. Carlos Bolsonaro (PSC), filho do presidente, votou contra o prefeito. A comissão será integrada por Messina, pelo relator Luiz Carlos Ramos Filho (Podemos) e Willian Coelho (MDB), o único dos três a apoiar a investigação, como presidente. Crivella tem dez dias para apresentar defesa e só cai se dois terços dos vereadores decidirem pelo impeachment.

 

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