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Para Jair Bolsonaro, não houve ditadura no Brasil

Para Jair Bolsonaro, não houve ditadura no Brasil
Bolsonaro autorizou que quarteis e guarnições militares celebrem o golpe de 1964. Foto: Arquivo

O presidente Jair Bolso­naro (PSL) afirmou nesta quarta-feira (27) que não houve ditadura no Brasil, refe­rindo-se ao período entre 1964 e 1985, quando as Forças Armadas governaram o país, sem eleições diretas para presidente da República. Para o presidente, ocorreu uma transição pacífica de poder no final dos anos de 1980. Disse que, nesse período, houve problemas.

“Onde você viu no mundo uma ditadura entregar para a oposição de forma pacífica o governo? Só no Brasil. Então, não houve ditadura”, afirmou o presidente, durante entrevista exibida pela TV Bandeirantes, na tarde desta quarta.

Com a proximidade do ani­versário de 55 anos do dia 31 de março de 1964, quando um levante militar retirou o então presidente João Goulart do poder, Bolsonaro autorizou que quarteis e guarnições militares celebrem a data. De acordo com Bolsonaro, que defendeu a observação do dia histórico, no próximo dia 31 será lida a ordem do dia (mensagem oficial) com referências a datas e fatos históricos.

Na entrevista, negou ter havido uma política de Estado voltada para a repressão. “Nunca tivemos, nas Forças Armadas, uma política de estado repressiva dessa forma que tentam o tempo todo botar na nossa conta. (…) Não quero dizer que foi uma maravilha, regime nenhum (é). De vez em quando tem um pro­bleminha”, afirmou.

INTIMAÇÃO

A juíza federal da 6ª Vara de Brasília, Ivani da Silva Luz, mandou intimar Bolsonaro sobre ação popular do advogado Carlos Alexandre Klomphas, a qual pede para que sejam barrados festejos em torno do ani­versário do golpe militar, em 31 de março.

A magistrada determinou que Bolsonaro e a União se manifestem em até cinco dias sobre a ação. Outra ação, mo­vida por defensores públicos federais nesta terça-feira, foi distribuída por prevenção à juíza, que já era relatora da ação popular do advogado, movida no mesmo dia, mais cedo. Na ação, o advogado afirma que a orientação de Bolsonaro “não é o interesse público e sim o jogo da classe dominante”.

O porta-voz da Presidência da República, general Otávio Santana do Rêgo Barros, informou na segunda-feira, que a inclusão da data na ordem do dia das Forças Armadas, para comemoração dos 55 anos do golpe de 1964, já foi aprovada por Bolsonaro. A participação do presidente nesses eventos, porém, ainda não está confirmada.

“O presidente não considera 31 de março de 1964 um golpe militar”, disse o porta-voz. Segundo Rêgo Barros, na ava­liação de Bolsonaro, sociedade civil e militares, “percebendo o perigo” que o país vivenciava naquele momento, se uniram para “recuperar e recolocar o nosso país no rumo”. “Salvo melhor juízo, se isso não tivesse ocorrido, hoje nós estaríamos tendo algum tipo de governo aqui que não seria bom para ninguém”, disse o porta-voz.

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