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Comissão vai ‘vigiar’ Enem e identificar ofensas a tradições

O Ministério da Educação (MEC) criou ontem uma comissão com três pessoas para fazer um pente fino nas questões do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). O grupo inclui um ex-aluno do ministro Ricardo Vélez Rodríguez e um procurador de Justiça ligado a Eduardo Bolsonaro. Os critérios para essa averiguação não foram detalhados. Em nota técnica, o governo afirmou apenas que o objetivo da medida é “identificar abordagens controversas com teor ofensivo a segmentos e grupos sociais, símbolos, tradições e costumes nacionais”.

A avaliação durará dez dias e vai vasculhar os cerca de 2 mil itens, como são chamadas as questões do Enem, já elaborados por professores de universidades federais. As perguntas também já passaram por diversas etapas de checagem feitas por especialistas em avaliação e nas áreas de Humanidades, Matemática e Ciências.

Nenhum dos integrantes da comissão tem experiência com avaliação ou com as áreas cobradas na prova. Apesar disso, o MEC informou que o grupo fará uma “leitura transversal”, considerada “uma etapa técnica de revisão de itens”. A criação do grupo foi noticiada com exclusividade pelo estadao.com.br.

Os membros da comissão são Marco Antônio Barroso Faria, ex-aluno de Vélez, que é assessor no MEC; Antônio Maurício Castanheira das Neves, um dos diretores do Ins­tituto de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), e Gilberto Callado de Oliveira, procurador de Justiça do Ministério Público de Santa Catarina.

Oliveira é considerado um guru na área do Direito do filho do presidente, Eduardo Bolso­naro. Em entrevista dada a uma revista da Igreja Católica, afirmou que há uma “contaminação ideológica esquerdizante” na comunidade jurídica brasileira. Barroso Faria é formado em Filosofia. Teve mestrado e doutorado em Ciência da Religião orientados por Vélez. Castanheira é psicólogo, com doutorado em Filosofia e pesquisas na área de educação. Foi indicado para o Inep pelo atual presidente Marcus Vinicius Rodrigues.

Os três terão acesso à sala de segurança máxima onde ficam as perguntas da prova para “verificar sua pertinência com a realidade social, de modo a assegurar um perfil consensual do exame”, segundo nota do Inep. O governo nega que se trate de censura.

Se o grupo considerar que a questão deve ser eliminada, o diretor de Avaliação da Educação Básica do Inep, Paulo Cesar Teixeira, juntamente com sua equipe técnica, ainda poderá discordar. Nesse caso, o presidente do Inep decidirá se a questão sai ou fica. Rodrigues é engenheiro, especializado em gestão e produtividade, e foi indicação dos militares.

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