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Primeiro leilão do governo Bolsonaro tem forte disputa e ágio de quase 1.000%

Primeiro leilão do governo Bolsonaro tem forte disputa e ágio de quase 1.000%
Aeroporto de Macaé (RJ) foi adquirido pela empresa Suíça Zurich Airport. Foto: Reprodução/PMM

O primeiro leilão de concessões do governo de Jair Bolsonaro (PSL) teve forte disputa e terminou com ágio de 986%, com arrecadação aos cofres da União de R$ 2,38 bilhões. No total, nove grupos participaram da licitação dos três blocos, com 12 aeroportos, reali­zada ontem (15), na B3, em São Paulo. A espanhola Aena, a suíça Zurich e as brasileiras Socicam Terminais Rodoviários e Sinart saíram vencedoras, e já disseram ter interesse na nova rodada de concessões que será anunciada segunda-feira.

Com a predominância de grupos estrangeiros, o leilão contou com algumas estreantes de peso do setor aeroportuário mundial, como a francesa ADP; a alemã AviAlliance, contro­lada pelo fundo de pensão canadense PSPIB; e a Aena. A espanhola foi a vencedora da licitação do bloco Nordeste, que inclui os aeroportos de Recife (PE), João Pessoa e Campina Grande (PB), Aracaju (SE) e Juazeiro do Norte (CE).

Considerado o mais atra­ente pela proximidade com a Europa e pelo potencial turístico, esse bloco teve oferta de seis grupos e protagonizou inusitada disputa pelo segundo lugar durante toda etapa de viva voz. A Aena deu lance inicial de R$ 1,85 bilhão. Porém, pela regra, as três melhores ofertas poderiam ir para o leilão viva-voz (lances ao vivo).

Zurich Airport e o Consórcio Região Nordeste, formado por Pátria e AviAlliance, disputaram por 17 rodadas a segunda posição no bloco, já que os lances eram sempre menores que o oferecido pela Aena. Num saguão lotado de advogados, especialistas e empresários, a estratégia virou alvo de teses.

Alguns acreditavam que os grupos ganhavam tempo para refazer suas contas; outros afirmavam que as empresas poderiam estar apostando em uma possível desclassificação da Ae­na no futuro. No final, a Zu­rich elevou em R$ 1 milhão sua oferta acima da feita pela Aena, mas a espanhola contra-atacou com lance de R$ 1,9 bi­lhão e fechou o leilão. “Estávamos preparado para ganhar”, afirmou o diretor da área internacional da Aena, Juan José Alvarez.

A Zurich, no entanto, não saiu de mãos vazias. Com uma oferta de R$ 437 milhões e ágio de 830%, a suíça venceu o bloco Sudeste, que inclui os aeroportos de Vitória (ES) e Macaé (RJ). O grupo de terminais do Centro-Oeste, considerado o menos atraente, foi disputado por dois consórcios: o Cons­trucap Agunsa e o Aeroeste, formado por Socicam Terminais Rodoviários e Sociedade Nacional de Apoio Rodoviário e Turístico (Sinart).

Apesar de ser conhecida mais pela administração de terminais rodoviários (como o do Tietê, em São Paulo), a Socicam faz a gestão de 10 aeroportos regionais. Porém, para se habilitar, precisou da capacidade da Sinart, que atua no aeroporto de Porto Seguro e movimenta mais de 1 milhão de passageiros. As duas empresas arremataram o bloco com o maior ágio do leilão: 4.739%. A outorga inicial era de apenas R$ 800 mil.

CONFIANÇA

Na avaliação do ministro de Infraestrutura, Tarcísio Freitas, o resultado do leilão – que vai demandar investimentos de R$ 1,47 bilhão nos primeiros cinco ano – é uma demonstração de confiança no país. “Também mostra o acerto do mode­lo de blocos, que já era usado no exterior e, pela primeira vez, foi adotado no Brasil.”

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