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Guerra política derruba número 2 e paralisa MEC

A disputa política instalada no Ministério da Educação (MEC) levou nesta terça-feira (12) à demissão do número dois da pasta, o secretário executivo Luiz Antonio Tozi. A saída foi determinada pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL) ao ministro Ricardo Vélez Rodríguez. Desde a semana passada, o ministério já teve sete funcionários afastados, está com editais paralisados e programas sem definição. Não há garantia de que Vélez, que tem sido criticado por apostar em ações de cunho ideológico e dar declarações polêmicas, vá continuar no cargo.

Tozi tinha perfil técnico, havia trabalhado para o go­verno de São Paulo e fazia parte de um grupo que vinha aconselhando Vélez a dar novo direcionamento aoo ministério. Outros dois grupos brigam por poder no MEC: os chamados “olavistas”, ligados ao escritor Olavo de Carvalho – considerado guru do “bolsonarismo” – e os militares.

O Estado de S. Paulo apurou que a “reformulação” na pasta pode chegar a 20 nomes. Entre os atingidos estariam outros seguidores de Olavo e integrantes do grupo do coronel Ricardo Roquetti, apontado como braço direito de Vélez e que foi desligado nesta segunda-feira. Funcionários ligados a Tozi também devem pedir para deixar o MEC. Não está descartada ainda a saída de Vélez logo depois da viagem de Bolsonaro aos Estados Unidos, mesmo com o presidente tendo dito na terça que ele “continua no cargo”.

Conta a favor do ministro o fato de o governo não ter nome forte para substituí-lo rapidamente. O ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, já trabalha para indicar um parlamentar para o posto. Outra opção cogitada pelo governo é mantê-lo no cargo, mas num papel de “fachada”.

Os poderes ficariam concentrados em um novo secretário executivo, ain­da a ser definido. Na terça, Vélez avisou pelo Twitter que o novo número dois da pasta será Rubens Barreto da Silva, que era secretário adjunto e amigo de Tozi.

A guerra interna foi exa­cerbada depois da repercussão negativa da carta enviada pelo ministro a escolas de todo país, pedindo que fosse lido o slogan da campanha de Bolsonaro e que as crianças fossem filmadas cantando o Hino Nacional. Como consequência, Vélez acabou demitindo parte do grupo ligado a Olavo, que defendia políticas mais conservadoras.

A reação dos “olavistas” e do próprio escritor foi imediata. Tozi foi chamado de “tucano” e acusado de não ser ali­nhado às ideias do presidente. Olavo pediu a cabeça do secretário executivo na terça pelo Twitter, assim como já tinha feito com o coronel Roquetti.

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