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Ex-alunos abrem fogo e criam terror em escola de Suzano; tragédia deixa 10 mortos

Ex-alunos abrem fogo e criam terror em escola; tragédia deixa 10 mortos
Polícia Militar concluiu que um dos atiradores matou o comparsa e depois se matou; jovens eram ex-alunos do colégio. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Eram 9h42 quando o jovem G.T.M., de 17 anos, entrou armado com um revólver calibre 38 na Escola Estadual Professor Raul Brasil, em Suzano, onde havia estudado até o ano passado, e abriu fogo contra um grupo de alunos e funcionários que estava na recepção. Três pessoas caíram no chão e ele seguiu para o interior da escola. Cerca de 30 segundos depois, seu amigo Luiz Henrique de Castro, de 25 anos, também ex-aluno, entrou munido com uma besta, um arco e flecha e uma machadinha. Ele golpeou as pessoas já caídas e se atracou com estudantes que fugiram correndo do interior da escola. O massacre resultou em duas funcionárias e cinco alunos mortos. Antes, a dupla havia matado um parente em uma loja fora da escola. Os dois atiradores também morreram.

A Polícia Militar concluiu que um dos atiradores matou o comparsa e depois se matou. Imagens de câmera de segurança mostram que G.T.M. está com a arma de fogo o todo tempo e é provável que tenha atirado em Luiz e depois se matado. Ambos foram encontrados mortos após serem cercados por policiais na escola. Toda a operação durou cerca de 15 minutos.

As investigações apuram que os jovens faziam parte de um grupo que joga em rede o game Call of Duty, de guerra, e neste fórum teriam planejado o crime. Os investigadores suspeitam que pode ter ligação com o massacre. A polícia ainda não sabe como ou onde as armas foram compradas.

Na manhã de ontem, os dois foram até a loja de carros seminovos de um tio de G.T.M., Jorge Antônio Moraes, loca­lizada a cerca de 450 me­tros da escola. De acordo com testemunhas, por volta de 9h15, G.T.M. entrou sozinho no local, onde também funciona um estacionamento e um lava-rápido e disparou três vezes. Ele acertou o celular que Moraes segurava na mão – e o levantou na tentativa de se proteger -, a clavícula e as costas da vítima. Depois, saiu e embarcou no carro que o esperava. Moraes morreu algumas horas depois no hospital.

A polícia foi acionada para procurar um Ônyx branco, encontrado um tempo depois na frente dessa escola, já com a chamado do tiroteio em curso.

ARMA NA CINTURA

O fato de os dois serem ex-alunos da instituição pode ter facilitado a entrada pelo portão da frente, que estava aberto. Imagens de uma câmera de segurança mostram que G.T.M., que abandonou os estudos em 2018, entrou na escola pegou a arma que estava na cintura e disparou contra um grupo. Uma das primeiras pessoas atingidas foi a coordenadora Marilena Ferreira Vieira Umezo.

No início, a dupla não usava máscaras, mas depois cobriu os rostos – um deles com uma máscara de caveira -, e passou a realizar os outros disparos que vitimaram, no total, sete pessoas na escola. Uma aluna chegou a lutar com Castro e conseguiu fugir, ao mesmo tempo que uma dezena de alunos passava correndo.

A tragédia poderia ter um número de vítimas se não fossem os esforços de alguns funcionários da escola. O coronel Marcelo Salles, comandante da PM, destacou a atuação de uma professora que estava no centro de idiomas. “(Os atiradores) se dirigiram ao local. Os alunos de lá se fecharam na sala junto com a professora.”
Uma das figuras mais lembradas é a de uma das merendeiras, que se trancou no refeitório com cerca de 60 alunos e chegou a colocar uma geladeira para impedir a entrada dos atiradores.

A estudante Kelly Milene Guerra, de 16 anos, contou que escutou vários tiros, mas não ouviu os atiradores falarem nada durante o ataque. “Ficamos dentro da cantina até a polícia chegar, mas não sabíamos o que estava acontecendo e de quem se tratava, então o medo continuou. Eles abriram a porta e mandaram a gente correr o mais rápido possível”, disse.

 

Para especialistas, crime em Suzano pode estimular
novos ataques

A repercussão do ataque a tiros na Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano, na Grande São Paulo, pode contribuir para a ocorrência de crimes seme­lhantes, alertam especia­listas. “A divulgação pode potencializar algumas pessoas mais vulneráveis, sugestionáveis a querer reproduzir essa ação”, afirma Antonio Serafim, diretor da área de neuropsicologia do Hospital das Clínicas (HC).

A opinião é compartilhada pelo psiquiatra Daniel Martins de Barros, do Instituto de Psiquiatria, também do HC, e colunista do Estado. “Eventualmente, pessoas que passam por situação semelhante começam a considerar a mesma hipótese.”

O neuropsiquiatra Dartiu Xavier, professor da Faculdade Paulista de Medicina, alerta que o caso deve ser tratado com distanciamento e respeito, sem banalização. A exposição às informações, diz, afeta as pessoas de maneira diferente e, por isso, é preciso cuidado. “Às vezes, um padrão de comportamento acaba sendo imitado. Isso vale para agressão e também para suicídio. Acaba servindo de estímulo”, afirma o professor. Segundo Xavier, é preciso atenção para não glamorizar o episódio. “A gente copia muito esse mo­delo americano de glamourização da violência, e isso deveria ser combatido”, pontua.

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