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Raquel Dodge arquiva pedido de suspeição de Gilmar Mendes

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, arquivou nesta segunda-feira, 11, a representação da força-tarefa da Lava Jato pela suspeição do ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes para relatar casos envolvendo o ex-ministro Aloysio Nunes Ferreira (PSDB). Para a chefe do Ministério Público Federal, Aloysio demonstrou “ousadia” ao supostamente “tentar interceder em favor” do ex-diretor da Dersa Paulo Vieira de Souza na Corte, por meio do ministro. No entanto, Raquel disse não ver provada “amizade íntima” entre Gilmar e Aloysio.

“Ainda que tenha efetivamente ocorrido, o contato com o gabinete do ministro ou com o próprio ministro não revelou amizade íntima entre ambos, nem, do ponto de vista objetivo, influiu, nem determinou o juízo valorativo do magistrado em relação ao réu ou à causa, vez que, na sequência dos fatos narrados, a decisão liminar foi revogada”, afirmou Raquel.

De acordo com a força-tarefa, ligações telefônicas e mensagens demonstraram que Aloysio buscou interferir em julgamento de habeas corpus do ex-diretor da Dersa por meio de contato com Gilmar. As mensagens do ex-senador foram resgatadas pelos investigadores de seu próprio celular, apreendido em 19 de fevereiro, na Operação Ad Infinitum, fase 60 da Lava Jato que prendeu Vieira de Souza.

“As evidências materiais narradas na representação não indicam amizade íntima que possa justificar arguir a exceção de suspeição do relator, inclusive porque ele, diante do esclarecimento dos fatos pela juíza da causa, revogou sua liminar e permitiu o curso regular da ação penal que resultou em condenação a pena elevada”, escreveu a procuradora-geral.

Segundo a força-tarefa, Aloysio “atuou, em interesse próprio e do também investigado Paulo Vieira de Souza, junto ao ministro Gilmar Mendes, para produção de efeitos protelatórios em processo criminal”. O ministro concedeu liminar para que fossem interrogadas testemunhas e analisados documentos em ação contra Vieira de Souza que já estava nas alegações finais, mas, após recurso da Procuradoria, manteve a etapa final do processo, que apura desvios de R$ 7,7 milhões na Dersa.

Aloysio disse que não iria se manifestar.

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