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Pressionado, Jair Bolsonaro resiste a exonerar ministro

Pressionado, Jair Bolsonaro resiste a exonerar ministro
Jair Bolsonaro: “deixa as investigações continuarem”. Foto: Arquivo

As denúncias envolvendo o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, iniciaram uma queda de braço no governo. De um lado o presidente Jair Bolsonaro, que resiste em afastá-lo, e de outro, auxiliares diretos, incluindo os militares, que desde a época da transição não defendiam o nome de Álvaro Antônio para o cargo. O pente-fino dos militares identificou que o ministro poderia dar dor de cabeça para o presidente antes mesmo de ele ser nomeado, mas a escolha atendeu a apelo do PSL, sigla do presidente.

Polícia Federal e Ministério Público investigam a suspeita de uso de candidaturas-laranjas em Minas Gerais. Em depoi­mento, ao menos uma delas contou que recebeu do então candidato a deputado federal pedido para que devolvesse parte dos valores recebidos do fundo eleitoral. Ou­tras quatro mulheres também procuraram os investigadores pedindo para prestar depoimento no mesmo sentido

Interlocutores diretos do presidente se preocupam com desgaste prolongado com o surgimento de mais e mais denúncias contra o ministro. Ao ser questionado nesta sexta-feira (8), por jornalistas sobre se o caso não estaria gerando constrangimentos ao governo, Bolsonaro respondeu: “Deixa as investigações continuarem.” Em seguida, o presidente encerrou a rápida coletiva de imprensa, concedida após cerimônia na qual seis embaixadores entregaram as credenciais ao Planalto.

No final da tarde, o porta-voz do governo, Otávio do Rêgo Barros, também ao ser questionado pela imprensa, repetiu o chefe “Ficou claro que o presidente aguarda o desenrolar dos fatos na Justiça”, disse. O porta-voz informou que Bolsonaro e Álvaro Antonio não conversaram ontem sobre o assunto. “Hoje pela manhã comentamos (o episódio) e ele não tinha contato estabelecido face to face.”

A entrada de Álvaro Antônio no governo foi consi­derada uma cartada do PSL, que colocou seu nome “goela abaixo” do presidente e dos militares. Na ocasião, o empresário Gilson Machado estava cotado para assumir a pasta, por ser, segundo au­xiliares do Planalto, nome técnico que ajudaria a alavancar o setor, principalmente no Nordeste. Seu nome era dado como certo, quando, para surpresa de seu entorno, Bolsonaro acabou escolhendo Álvaro. Na época, o escolhido disse que sua nomeação não contemplava nenhum partido ou Estado, mas que foi indicado pela Frente Parlamentar em Defesa do Turismo, da qual faz parte.

INVESTIGAÇÃO

A suspeita de uso de candidaturas-laranjas pelo PSL, em que Álvaro Antonio aparece como figura central, é alvo de investigações da Polícia Fe­deral e do Ministério Público, que estão na fase de coleta de depoimentos. O vice-presidente da República, Hamilton Mourão, já afirmou que, caso fique comprovado que o mi­nistro cometeu irregularidades, ele será demitido.

O ministro tem negado as acusações. Afirma que as candidatas “mentem” quando dizem que ele ou sua assessoria propuseram durante a campanha eleitoral que elas devolvessem dinheiro do fundo eleitoral.

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