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Pressionado após vídeo, Bolsonaro defende reforma da Previdência

Pressionado, Bolsonaro defende reforma da Previdência
Bolsonaro: “Sabemos que (a reforma) desagrada a algumas pessoas, sim, mas vamos combater os privilégios”. Foto: Reprodução/Facebook

Pressionado a ter posicionamento mais firme em relação à reforma da Previdência, o presidente Jair Bolsonaro (7) saiu nesta quinta-feira (7) a campo em defesa da proposta e da inclusão dos militares nas mudanças nas regras de aposentadoria.

A cobrança para que Bolsonaro assuma o papel de protagonista da reforma aumentou depois que o presidente publicou na sua conta do Twitter um vídeo com imagens pornográficas gravadas durante o Carnaval. A publicação do vídeo, que gerou críticas até mesmo entre aliados, foi logo interpretada como desvio de foco grave do presidente na defesa do reforma, considerada a principal proposta do seu governo e fundamental para deslanchar a economia, que marcha ainda de forma lenta.

A bolsa caiu e o dólar subiu em reação negativa aos sinais contraditórios do presidente. A resposta de Bolsonaro veio também pelas redes sociais. No final do dia, o presidente fez uma live (transmissão de vídeo no Facebook), ao lado do ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, e do porta-voz da Presidência, Otávio Rêgo Barros, para mostrar que a reforma desenhada por sua equipe combate a privilégios e é necessária.

Bolsonaro foi aconselhado por auxiliares próximos a voltar suas baterias para agenda econômica. “Sabemos que (a reforma) desagrada a algumas pessoas, sim, mas vamos combater os privilégios e colocar o Brasil no rumo do crescimento”, afirmou. O presidente disse esperar que o texto não seja muito desidratado para que atinja o seu objetivo e “sobrem recursos para nós investirmos em emprego, segurança, saúde, educação”.

Desde que a proposta foi enviada ao Congresso, Bolsonaro pouco tinha dado mensagens de apoio à proposta. Os deputados defensores mais aguerridos da reforma chegaram a reclamar com ministro da Casa Civil, Onxy Lorenzoni, da pouca dedicação do presidente nas redes, quando se esperara que seria o “garoto propaganda” da reforma. O ruído em torno do vídeo no Carnaval só aumentou o descontentamento da base.

Pouco antes da live, o presidente já havia se manifestado em seu perfil no Twitter sobre a aprovação da reforma da Previdência, dizendo que segue os padrões mundiais e combaterá os privilégios.

“Foi pensando na importância disso (da reforma) que nosso time econômico elaborou um modelo de previdência que segue os padrões mundiais, que combate privilégios como aposentadoria especial para políticos, que cobra menos dos mais pobres, e que incluirá todos, inclusive militares. Seguimos!”, publicou.

Depois dos tuítes, a Bolsa voltou a oscilar em terreno positivo e fechou em alta de 0,13%.

Os tuítes foram seguidos de um trecho do pronunciamento feito no último dia 20, quando o presidente entregou ao Congresso o projeto. Como mostrou o Estado, das 515 mensagens publicadas pelo presidente desde 1º de janeiro até terça-feira passada, apenas em cinco deles, a reforma da Previdência foi assunto, o equivalente a menos de 1% das postagens.

Militares

Segundo apurou o Estadão, o desconforto do presidente em relação à reforma continua relacionado aos militares. Bolsonaro busca costurar uma saída para incluir no projeto de lei regras para elevar a remuneração dos militares. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) e integrantes da área econômica avaliam que não é uma boa estratégia enviar o projeto juntamente com o aumento salarial. O presidente quer esperar até o dia 20 para enviar o projeto e ter mais tempo para negociar uma saída para o impasse.

No Rio, durante cerimônia dos 211 anos do Corpo de Fuzileiros Navais, o presidente disse que os militares serão incluídos, mas não deu detalhes. Bolsonaro tem conversado sobre o tema com deputados para medir a temperatura do Congresso.

“O PL dos militares precisa chegar ao Congresso. Só isso”, disse o deputado Mauro Benevides Filho (PDT-CE), que descartou impacto do ruído dos vídeo na reforma. Outro ponto de desgaste tem sido a escolha do relatoria, disputada pelos aliados.

 

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