Arte & Lazer, carnaval

Mancha Verde ganha o título inédito do carnaval em SP; Vai-Vai É rebaixada

Mancha Verde vence o carnaval de São Paulo
Foto: Reprodução/Liga das Escolas de Samba de São Paulo

A Mancha Verde, escola de samba ligada ao Palmeiras, ganhou o título inédito do Grupo Especial. Já a Vai-Vai, agremiação que mais vezes venceu o carnaval paulistano, foi rebaixada para o grupo de acesso em 2020, ao lado da Acadêmicos do Tucuruvi. A Dragões da Real ficou em segundo lugar. Barroca Zona Sul e Pérola Negra retornam em 2020 à elite do samba.

A vitória só se consolidou no último quesito, Alegoria, quando a Acadêmicos do Tatuapé – bicampeã, que liderava a apuração e terminou apenas em sétimo – perdeu pontos por apresentar falha no LED de um carro alegórico. Terceira a desfilar na madrugada de sexta-feira, a Mancha apostou nas cores verde, branca e vermelha em um samba-enredo afrobrasileiro, Óxala, Salve a Princesa! A Saga de uma Guerreira Negra! Tratou-se da história da avó de Zumbi dos Palmares, a princesa africana Aqualtune. A composição exaltou maracatu e Iemanjá e discutiu também questões sociais e políticas, como escravidão e intolerância religiosa.

No discurso de vitória já na quadra da Mancha, o presidente da escola Paulo Serdan disse que a vitória é da comunidade, de quem ensaiou e trabalhou no desfile. Mas celebrou a contratação do carnavalesco Jorge Freitas como essencial. “Conversamos com ele há um tempo, mas não tínhamos condição de dar a qualidade para ele desenvolver o trabalho. E este ano deu. O Jorge vale cada centavo que a gente paga por ele. Só vai sair daqui da Mancha no dia em que ele quiser.”

“A Mancha tem sambista, sim”, disse Paolo Bianchi, diretor de carnaval da Mancha, ainda ao fim da apuração no Anhembi. “A gente sempre batia na trave, mas a gente nunca cansou. A gente passou por cima de todo mundo, a gente se uniu, apontou nossos erros, olhou para dentro de casa e está aqui o resultado. É o resultado de muito amor, de muita dedicação.”

Já sabia

Mesmo sob chuva nas primeiras horas de comemoração, rapidamente a quadra estava tomada de torcedores. O clima era de “já sabia”. Muitos integrantes falavam em vitória merecida, fruto de ensaios desde agosto.

Desde 2011 na escola, a dona de casa Maria Porta, de 58 anos, que desfilou em uma das alas, afirmou que “estava confiante”. “Pensei que ficaríamos em segundo, e para mim seria como o primeiro”, destacou. “A Mancha estava linda, fez muito trabalho de chão, com dança. Um desfile bem trabalhado.”

Maria cantava o samba-enredo na comemoração – que agora promete não tirar da cabeça. “É uma sensação maravilhosa. Eu vi essa escola crescendo. Quando cheguei, em 2011, era só barro e mato.”

Envolta em uma bandeira da Mancha Verde, a palmeirense roxa de 3 anos Maria Luíza Ribeiro dançava no colo da mãe, a farmacêutica Carla Ribeiro, de 33. “Viemos cedo e vamos ficar pouco por causa dela”, disse Carla, que saiu da zona leste, onde mora, com o marido palmeirense, para comemorar o título da agremiação.

Congratulações

O Palmeiras congratulou a Mancha pelas redes sociais. “Parabéns, @MANCHACARNAVAL!” O mesmo caminho, o Twitter, foi tomado pela conselheira Leila Pereira, proprietária da Crefisa e uma das principais patrocinadoras do desfile. “É campeã!!! Parabéns a toda comunidade. Mancha você me dá muito orgulho.”

A Crefisa deu R$ 3,5 milhões para o desfile – o que por si só críticas. A Mancha não só recebeu o dinheiro como rebatizou sua quadra há um mês, dando a ela o nome de Leila e de seu marido, José Roberto Lamacchia. Desde 2016, em valores oficiais, foram doados à Mancha pela Crefisa R$ 6 milhões.

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