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Trabalhadores de São José dos Campos aceitam proposta da GM

Trabalhadores aceitam proposta da GM para São José dos Campos
Participaram da assembleia cerca de 4 mil trabalhadores, segundo o sindicato. Foto: Reprodução/SMSJC

Os trabalhadores da fábrica da General Motors de São José dos Campos (SP) aceitaram nesta quinta-feira (7) proposta feita pela empresa para reduzir custos trabalhistas. Como contrapartida, afirma o sindicato, a montadora se comprometeu a investir mais R$ 5 bilhões na unidade.

O atual programa de investimento da montadora no Brasil, de R$ 13 bilhões, acaba este ano. O anúncio de novo plano estaria vinculado a acordos com governos (federal e estaduais), funcionários das três fábricas de veículos, fornecedores e revendedores. Como havia informado o Estadão, o novo plano soma R$ 10 bilhões, considerando todas as fábricas.

A proposta da empresa para o Vale do Paraíba inclui reajuste zero nos salários em 2019. Para 2020, a GM propôs reposição de 60% da inflação em 12 meses medida pelo  Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) – em ambos os anos, portanto, os trabalhadores teriam perda real no rendimento. A reposição da inflação total só voltaria em 2021.

Para amenizar a falta de reajuste em 2019, os trabalhadores terão abono salarial de R$ 2,5 mil. Para 2020, já com a reposição parcial da inflação, o abono cairá para R$ 1,5 mil. Em 2021, com a reposição total, deixa de haver abono.

A proposta foi feita após seis rodadas de negociações com o sindicato dos metalúrgicos da cidade. A votação entre os trabalhadores ocorreu na tarde desta quinta-feira e, segundo o sindicato, reuniu quatro mil pessoas.

A GM começou as conversas com 28 reivindicações. Após as rodadas de negociações, a pauta caiu para 10 itens. Em um deles, que toca no piso salarial de novos contratados, houve recuo da montadora. No início, a empresa queria reduzir o piso de R$ 2,3 mil para R$ 1,6 mil, queda de 30%. Depois, propôs corte para R$ 1,7 mil nesse momento, com aumento para R$ 1,8 mil em setembro. Segundo o sindicato, a empresa também desistiu de aumentar a jornada de 40 para 44 horas semanais e adotar a terceirização irrestrita na fábrica.

A montadora ainda mantém negociações com os sindicatos das demais cidades onde mantém fábricas de carros, em São Caetano e Gravataí (RS). A fábrica de São José dos Campos, no entanto, era a que estava em situação mais delicada.

A empresa também segue conversando com os governos dos Estados onde está instalada. Em São Paulo, pede antecipação de créditos acumulados do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). No Rio Grande do Sul, pede isenção no ICMS do frete interestadual e medidas que reduzam o custo de exportação a partir do Porto de Rio Grande.

As conversas tiveram início depois que a empresa divulgou comunicado interno no qual afirmou que estava dando prejuízo no Brasil há três anos e indicou que poderia deixar de produzir no país se não voltasse a ter lucro em 2019.

 

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