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Com retomada mais lenta, IPCA varia 3,75% em 2018 e fica abaixo do centro da meta do BC

Com retomada mais lenta, IPCA varia 3,75% em 2018 e fica abaixo do centro da meta do BC
Vilã da inflação em 2018, gasolina fechou o ano passado em alta de 7,24%. Foto: Arquivo

A inflação fechou 2018 em 3,75%, divulgou ontem (11) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na esteira da lenta retomada da atividade econômica no país, da queda mais recente do preço dos combustíveis e da redução do preço dos alimentos.

Considerando apenas de­zembro, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial, ficou em 0,15%, ante deflação de 0,21% em novembro. Essa foi a menor variação para o mês de desde a instauração do Plano Real no Brasil, em 1994.

No cômputo anual, o indi­cador ficou abaixo do centro da meta do Banco Central, que era de 4,5%, com intervalo de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos (entre 3% e 6%, portanto).

Apesar da melhora da taxa de desemprego em 2018, a renda do trabalhador não aumentou significativamente e as novas vagas no mercado de trabalho estiveram concentradas no segmento informal. O investimento não retomou patamares pré-crise, a despeito da melhora da confiança do empresariado, e ainda há capacidade ociosa na indústria.

Aliados à retomada da ati­vidade econômica que não se concretizou como o esperado, esses fatores contribuíram para a manutenção da inflação em patamares baixos.

O IPCA mais baixo em dezembro decorreu principalmente da deflação dos preços de transportes (-0,54%), com redução nos valores da ga­solina, e desaceleração no gru­po de habitação (0,15%), com re­du­ção na energia. Ainda assim, a gasolina fe­chou o ano em alta de 7,24%. A energia elétrica subiu 8,70%.

Os preços dos alimentos, vilões da inflação em 2015 e em 2016, voltaram a patamares normais em 2018, depois de um 2017 de safras recordes. O grupo fechou dezembro em 0,44%. No acumulado do ano, a variação foi de 4,04%.

Mesmo assim, segundo o IBGE, o grupo alimentos foi o que mais influenciou o resultado anual do IPCA, com alta em produtos importantes como batata (20%), cebola (24%) e tomate (71,76%).

Para este ano, analistas esperam inflação entre 4% e 5%. O consenso é que a melhora da economia poderá ser acompa­nhada de aumento do consu­mo e, consequentemente, de preços. Economistas ouvidos pela reportagem, contudo, acredi­tam que a aceleração da inflação será tímida, já que o consumo das famílias ainda é baixo e há ociosidade na indústria.

A inflação controlada foi o que motivou nos últimos anos movimento de redução da Taxa Selic, que atualmente está em 6,5% ao ano. Arbitrar juros é uma das formas que o BC tem de atuar no controle da inflação, por meio do incentivo ou não do consumo da população e do investimento das empresas.

Juros mais baixos podem servir como incentivo ao consumo de bens como imóveis e automóveis. Na outra ponta, juros mais altos podem ser usados como inibidores do consumo em momentos de preços em descontrole.

 

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