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Etanol fica 10% mais barato no ABC e, pela primeira vez desde 2015, começa ano vantajoso

Etanol fica 10% mais barato no ABC e, pela primeira vez desde 2015, começa ano vantajoso
Pela 36ª semana consecutiva, gasolina é menos vantajosa nos postos da região. Foto: Arquivo

A queda nos preços da ga­solina verificada nos últimos três meses e o início da entres­safra de cana de açúcar não impediram o etanol de iniciar 2019 vantajoso nos postos de combustível do ABC para os proprietários de carros flex.

Na semana passada, o re­no­vável foi vendido, em média, por R$ 2,672 o litro nos esta­belecimentos da região, se­gundo levantamento rea­li­­­za­do pela Agência Nacional do Pe­tróleo, Gás Natural e Bio­combustíveis (ANP), com dados compilados pe­lo Diário Regional.

O valor é 6,54% inferior ao apurado pela pesquisa na primeira semana do ano passado (R$ 2,859). Des­contada a inflação do período, que de­ve ficar em 3,8%, o recuo é de 10% – o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) só divulgará o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) amanhã (11).

Na mesma comparação, a gasolina ficou 3,4% mais cara, para R$ 4,110 o li­tro, contra R$ 3,974 na primei­ra semana de 2018. Porém, descontada a inflação do perío­do, houve queda de 0,3%.

Com isso, o etanol segue vantajoso para os proprie­tários de carros flex pela 36ª semana seguida, uma vez que seu preço médio corresponde a 65% do va­lor da gasolina.

O renovável é competitivo quando a relação é inferior a 70%. Acima de 70,5%, a gasolina deve ser a escolhida.

É a primeira vez que o deri­vado da cana de açúcar inicia um ano vantajoso desde 2015.

QUEDA NA REFINARIA

Após disparar em meados do ano, devido à greve dos caminhoneiros e à alta do dólar, o preço da gasolina nas refinarias da Petrobras entrou em trajetória de queda a partir de outubro e fechou 2018 14,3% menor do que o verificado no último dia de 2017.

Porém, o preço da gasolina nas bombas não acompanhou a trajetória nas refinarias, o que sugere aumento da margem de lucro dos postos e dos distribuidores.

O setor argumenta que, na época em que a gasolina subiu nas refinarias, não repassou integralmente a alta para o consumidor e absorveu parte do aumento. A queda, no entanto, chegou a 8,7% no ABC e foi suficiente para conter a escalada do etanol, comum nesta época do ano, uma vez que diminuiu a margem para apreciação do renovável na entressafra.

Também ajudou o fato de a produção de etanol ter regis­trado recorde no Estado de São Paulo na temporada 2018-2019, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Cepea-Esalq).

Para este ano, o Cepea-­Esalq projeta que a esperada retomada do crescimento da economia brasileira deve ele­var a renda das famílias, o que pode aquecer as vendas de automóveis e, consequentemente, aumentar a demanda por combustíveis. Projeções do Banco Central indicam alta de 2,55% do Produto Interno Bruto (PIB).

Quanto à oferta, analistas projetam moagem e vo­lume de cana de açúcar na safra 2019/20 do Centro-Sul próximos dos verificados em 2018/19, ainda em andamento. Por outro lado, a alocação da cana para açúcar e etanol deve ser reajustada na temporada 2019/20 frente à registrada na anterior.

Os preços médios do etanol permanecem vantajosos ante os da gasolina em ape­nas cinco Estados: Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Paraná e São Paulo.

 

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