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Atila, Gaspar e 22 vereadores de Mauá são indiciados por corrupção e organização criminosa

Atila, Gaspar e 22 vereadores de Mauá são indiciados pela PF
Atila Jacomussi está preso desde 13 de dezembro. Foto: Arquivo

O prefeito afastado de Mauá, Atila Jacomussi (PSB); o ex-secretário de governo do município João Eduardo Gaspar; 21 vereadores e um suplente foram indiciados pela Polícia Federal. Atila e Gaspar foram indiciados pelos crimes de corrupção ativa e passiva, e por integrar organização criminosa; os 22 parlamentares, por corrupção passiva e por integrar organização criminosa. Dos 23 vereadores, apenas Marcelo Oliveira (PT) e Francisco de Carvalho Filho, o Chico do Judô (Patriota), não foram indiciados pela PF.

Atila e Gaspar estão presos desde 13 de dezembro. Ambos foram detidos pela Polícia Fede­ral durante Operação Trato Feito, desdobramento da Prato Feito, e são suspeitos de receber propina de empresas que mantêm contratos com a prefeitura e de distribuí-las entre os vereadores em troca de favores políticos.

A investigação indica que as nove empresas pagavam propina aos investigados no valor estimado de R$ 500 mil mensais. Evidências coletadas na apreensão da primeira fase indicam recebimentos indevidos de porcentuais de contratos (10% ou 20%) com empresas que fornecem bens e serviços à prefeitura e pagamento de propina à quase totalidade dos vereadores.

Outra irregularidade identificada pela Polícia Federal é da existência de troca de favores na contratação de cargos comissionados na prefeitura e empregos nas empresas do esquema criminoso.

DEFESA

O advogado de defesa de Atila Jacomussi, Daniel Leon Bialski, repetiu ao Diário Regional, por meio de nota, o argumento usado quando da prisão do prefeito. Bialski entende que o prefeito é inocente e que a PF dá nova roupagem para fatos pretéritos e conhecidos.

Segundo o advogado o indiciamento pela PF é baseado em sofismas e presunções sem qualquer amparo em provas cabais que possam mostrar envolvimento do prefeito.

“Ao menos agora esperamos que, na Justiça, se possa exercer o direito de defesa e contestar os equívocos e abusos ocorridos na investigação. Ademais, não se pode esquecer que nem a Polícia nem a Justiça Federal tinham e têm competência para investigar, examinar e julgar a causa. Aliás, a própria Procuradoria-Geral da República contestou a incompetência jurisdicional”, destacou o advogado.

A Câmara de Mauá, por meio de nota, afirmou que “se mantém, como sempre esteve, à disposição da Justiça, bem como das demais ins­tâncias de poder, para prestar os esclarecimentos que se fizerem necessários”.

Em coletiva de imprensa concedida em 26 de dezembro, os vereadores afirmaram que as investigações se devem ao fato de os parlamentares terem rejeitado pedidos de impeachment quando da primeira prisão do prefeito. “Não vejo outro motivo. Votamos contra porque as investigações não estavam concluídas”, disse à época Francisco Carneiro, o Chiquinho do Zaíra (Avante).

Quando da Operação Trato Feito, a delegada Melissa Maximino Pastor, da Delegacia de Repressão à Corrupção e Crimes Financeiros (Delecor), solicitou o afastamento dos 22 vereadores suspeitos de envolvimento no esquema, mas o pedido foi negado pela Justiça, por considerar que “acarretaria em completa situação de ingo­vernabilidade do município”.

PRIMEIRA PRISÃO

Em maio do ano passado, durante a Operação Prato Feito, Atila Jacomussi e João Eduardo Gaspar já tinham sido presos em flagrante por corrupção. Na casa do prefeito foram apreendidos R$ 85 mil em dinheiro; com Gaspar, a Polícia Federal encontrou R$ 588 mil e quase € 3 mil em espécie.

Em 15 de junho, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), revogou a prisão preventiva de ambos. À época, o Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3) impôs medidas cautelares a Jacomussi, dentre as quais a suspensão, em caráter liminar, do exercício do cargo de prefeito. Porém, em setembro, Gilmar Mendes revo­gou a medida, e Jacomussi retomou a cadeira na prefeitura.

Um comentario

  1. edmilson dos santos Batista

    foi tarde a policial precisa também investigar o filho do Severino e a jucimara do mstu que está agindo em Santo André com a promessa de moradia popular

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