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Após ano turbulento, comércio comemora melhor Natal desde 2014

Após ano turbulento, comércio comemora melhor Natal desde 2014
Varejo foi favorecido pela melhora do nível de confiança do consumidor. Foto: Arquivo

Depois de um ano turbulento para o varejo, afetado por greve dos caminhoneiros, Copa do Mundo e eleições, o consumo reagiu na reta final. Os primeiros dados, divulgados ontem (26), indicam que o Natal de 2018 teve o me­lhor de­sempenho dos últimos quatro anos, mas ainda está distante dos níveis pré-crise.

Dois indicadores que funcionam como termômetro do comércio apontam para a tendência de retomada. Nas compras a prazo, por exemplo, as consultas feitas por lojistas para checar a situação de crédito dos consumidores aumentaram 2,66% entre os dias 4 e 24 deste mês, em relação a 2017.

Segundo a Confederação Na­cional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) Brasil, esse foi o maior avanço desde 2014.

Outra entidade do setor, a Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Feco­mercioSP), também registrou resultado positivo.

Segundo cálculos da entidade, feitos com base em dados da Boa Vista Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC), as vendas do setor no país entre 13 e 20 de dezembro – semana anterior à das comemorações natalinas – cresceram 3,8%, para R$ 47,5 bilhões, ou pouco mais de R$ 1,7 bi­lhão acima do que em 2017.

O maior crescimento no Natal veio das vendas pela internet, cujo faturamento subiu 13,5%, para R$ 9,9 bilhões, segundo a Ebit/Nielsen.

Nos shoppings, as vendas avançaram 5,5% este ano em relação ao Natal de 2017, segundo levantamento preliminar feito pela Associação de Lojistas Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop). Descontada a inflação, porém, o crescimento foi de 1,5%.

“O Natal salvou o ano”, afirmou o presidente da Alshop, Na­bil Sahyoun. O executivo disse que as lojas de shoppings vão terminar 2018 com crescimento de 6% nas vendas, para R$ 156,3 bilhões. Descontada a inflação, a alta é de 2,2%. “Podemos festejar o resultado do Natal e do ano.”

O país teve abertura de 13 empreendimentos em 2018, contra 19 fechamentos, segundo a associação. A expectativa é de que nos próximos dois anos sejam abertos 28 shoppings, com 7.960 empregos.

O economista Marcel Solimeo, da Associação Comer­cial de São Paulo (ACSP), é mais cauteloso. “Foi um Natal bom para as circuns­tâncias”, disse. “Tivemos um ano bastante tumultuado, por conta do período eleitoral. Antes, nossa incerteza era total. Agora, temos meia incerteza.”

O economista projeta cres­cimento real – descontada a inflação – de 2% a 3% nas vendas deste Natal em relação à mesma data de 2017. Taxa seme­lhante é esperada pela Confe­deração Nacional do Comércio (CNC), de 3,1%.

Para a economista-chefe do SPC/Brasil, Marcela Kawauti, os resultados positivos refle­tem, especialmente, a maior confiança da população

Dois indicadores de confiança da Fundação Getulio Vargas (FGV) deste mês mostram que o brasileiro está mais otimista dos dois lados do balcão. O Índice de Confiança do Consumidor atingiu 93,8 pontos, a maior marca desde abril de 2014, e a dos empresários do varejo foi a 105,1 pontos, o maior resultado desde abril de 2013.

“Com a definição do quadro eleitoral e a volta da previsibilidade, os empresários gradativamente começam a retomar planos engavetados”, afirmou Marcela.

 

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