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Alaíde assume Paço de Mauá e diz que vai demitir secretariado de Atila

Alaíde assume Paço de Mauá e diz que vai demitir secretariado de Atila
Alaíde confirmou a demissão em massa dos secretários indicados por Atila. Foto: Reprodução/TV Globo

Cento e seis dias após deixar o comando interino do Paço de Mauá, Alaíde Damo (MDB) está de volta ao cargo. A vice-prefeita reassumiu nesta quinta-feira (27) a gestão da cidade devido à ausência de Atila Jacomussi (PSB), que segue preso desde o último dia 13, acusado de desvio de recursos públicos no âmbito da Operação Trato Feito, da Polícia Federal.

Alaíde foi empossada por volta das 17h, após o encerramento do expediente da administração. A emedebista esteve pela manhã no Paço para assinar a ata de transmissão de posse, mas foi impedida pelo grupo de Atila devido à divergência quanto ao prazo de 15 dias previsto pela Lei Orgânica do Município (LOM) para a substituição em caso de ausência do prefeito.

Os aliados do socialista entendiam que, como Atila foi preso no dia 13, a vice-prefeita só poderia ser empossada nesta sexta-feira. A emedebista, por sua vez, argumentava que, em documento enviado à Câmara na quarta-feira, o prefeito já reconhecia a impossibilidade de reassumir o Paço no prazo legal. O impasse foi resolvido com a realização da cerimônia da posse após o final do expediente.

Alaíde assumiu interinamente a administração por cerca de quatro meses, entre maio e setembro, devido à primeira prisão de Atila. Nesse período, a emedebista demitiu o secretariado do socialista, o que resultou no rompimento entre as famílias Damo e Jacomussi.

Durante entrevista coletiva concedida à imprensa após a posse, Alaíde confirmou a demissão em massa dos secretários indicados por Atila. “Não posso ficar com eles. Até trabalhei com alguns deles da outra vez, mas não posso ficar com uma equipe que vai trabalhar contra mim”, disse a prefeita interina. “Se o RH estivesse aberto, demitiria hoje mesmo”, prosseguiu.

Alaíde, contudo, reconheceu que “muitas pessoas que estão com o Atila são ótimas” e citou ao menos um secretário que deve permanecer no cargo: o de Justiça e Defesa da Cidadania, Rogério Babichak.

Questionada sobre a denúncia de que 21 dos 23 vereadores, além de um suplente, receberiam propina de Atila – paga por nove empresas – em troca de apoio político, a emedebista evitou comentá-la, mas afirmou que tentará construir base governista na Câmara. “Deixo a conclusão para a Justiça.”

A interina reconheceu a falta de experiência administrativa, mas disse que vai se espelhar no presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), que nunca passou pelo Executivo. “Bolsonaro é meu ídolo, e concordo quando ele diz que precisa se cercar de pessoas experientes. Nenhum gestor público conhece todos os setores”, disse.

ENTENDA

Atila e o ex-secretário de governo João Gaspar foram presos pela primeira vez em maio deste ano no âmbito da Operação Prato Feito por suspeita de irregularidades em contratos de merenda, material e uniforme escolares. Ambos foram soltos por meio de habeas corpus concedidos pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, que também autorizou o retorno do socialista ao Paço.

Porém, no último dia 13, a Polícia Federal prendeu novamente o prefeito no âmbito da Operação Trato Feito – desta vez sob a acusação de comandar esquema de desvio de recursos públicos que teria a participação de ao menos nove empresas e visava a obtenção de apoio na Câmara, por meio do pagamento de “mensalinho” a 21 dos 23 vereadores e a um suplente.

Na última quarta-feira, grupo formado por 15 vereadores prometeu protocolar requerimento solicitando a realização de sessão extraordinária para que sejam votados três pedidos de impeachment contra Atila. Durante o primeiro afastamento do prefeito, no entanto, dois pedidos foram barrados pela Casa – a rejeição, aliás, é um dos argumentos usados pela PF para sustentar a tese do mensalinho.

A defesa de Atila nega as acusações e argumenta que a segunda prisão é injustificada, uma vez que não há fato novo para balizar a prisão. O prefeito – que está no presídio de Tremembé, no Interior do Estado – aguarda a decisão de dois pedidos de soltura junto ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Na semana passada, o mi­nistro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Rogerio Schietti Cruz negou habeas corpus ao prefeito e manteve prisão preventiva decretada pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3). O advogado de defesa de Atila, Daniel Leon Bialski, recorreu da decisão ao Supremo.

O advogado também entrou, na semana passada, com reclamação no STF contra a nova ordem de prisão de Atila, por entender que houve descumprimento da liminar expedida pelo ministro Gilmar Mendes em junho deste ano que libertou o prefeito.

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