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Técnico acusado de abuso é multado em R$ 300 mil e suspenso por 1.500 dias

Técnico acusado de abuso é multado em R$ 300 mil e suspenso por 1.500 dias
Cinco meses após a divulgação do escândalo na ginástica, Fernando Lopes recebe pena máxima nos cinco artigos em que foi julgado. Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Cinco meses depois de estourar o escândalo que abalou a ginástica brasileira, o técnico Fernando de Car­valho Lopes foi julgado nesta sexta-feira (9), pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) da Confederação Brasileira de Ginástica (CBG), e recebeu a pena máxima em todos os cinco artigos nos quais foi denunciado.

O treinador ficará 1.500 dias suspenso e terá de pagar multa de R$ 300 mil, que vai para a própria CBG, que o mantinha como treinador da seleção brasileira.

A punição foi aplicada em primeira instância e Lopes pode recorrer. A punição foi considerada branda pela defesa dos atletas, da CSMZ Advogados, que queriam que Fernando fosse banido do esporte. Para tanto, recorreram a um artigo do estatuto da Federação Internacional de Ginástica (FIG), que prevê banimento por fatos graves.

Além disso, os advogados defendiam que a punição de 1.500 dias fosse relativa a cada um dos 25 casos apresentados, o que na prática faria com que o treinador fosse banido para o resto da vida. Por isso, os atletas – que são parte interessada – também devem recorrer.

Fernando foi acusado por diversos ginastas que treinaram sob o comando dele em São Bernardo de assediá-los. O caso tornou-se público às vésperas da Olimpíada do Rio, em 2016, quando os pais de dois alunos procuraram o Ministério Público e Fernando acabou afastado do cargo de treinador da seleção.

Depois, em abril deste ano, uma extensa reportagem do Fantástico, da TV Globo, levou ao ar diversos relatos de que os abusos eram cometidos há anos.

Então contratado pelo Mesc, de São Bernardo, Lopes foi inicialmente afastado de suas atividades. O clube informou, à época, que o acusado vinha trabalhando apenas na área administrativa, mas mães de atletas já haviam denunciado ao Conselho Tu­telar da cidade de que, na verdade, ele continuava tra­ba­lhando como treinador.

Ontem, Lopes enfim chegou ao banco dos réus do STJD da Ginástica, em Brasília. Acabou condenado em cinco artigos do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD): 243-B (cons­tranger mediante violência, grave ameaça ou por qualquer outro meio), 243-C (ameaçar alguém), 243-E (submeter criança ou adolescente, sob sua autoridade, guarda ou vigilância, a vexame ou a constrangimento), 258 (assumir qualquer conduta contrária à disciplina ou à ética desportiva não tipificada pelas demais regras) e 243-G (praticar ato discriminatório, desdenhoso ou ultrajante, relacionado a preconceito em razão de origem étnica, raça, sexo, cor, idade, condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência).

TROÇA

Antes desse julgamento no STJD, o caso Fernando Lopes já havia sido avaliado pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB). O Comitê de Ética do órgão julgou a CBG e o técnico Marcos Goto, funcionário do COB, que teria feito troça das acusações contra Fernando e ironizado vítimas. Ambos foram inocentados.

 

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