Últimas notícias

Delatores da JBS e vice-governador de Minas são presos em operação da PF

O empresário Joesley Batista, um dos donos da JBS, o vice-governador de Minas Gerais, Antônio Andrade (MDB), o ex-ministro Neri Geller (PP-MT) e o deputado estadual João Magalhães (MDB-MG) foram presos nesta sexta-feira (9) na Operação Capitu, deflagrada pela Polícia Federal em Minas Gerais e pela Receita Federal.

Houve outros 15 pedidos de prisão temporária (de no máximo cinco dias), inclusive de outros três delatores do grupo J&F, que controla a JBS: Ricardo Saud (ex-diretor), Demilton Antonio de Castro (então contador da empresa) e Florisvaldo Caetano de Oliveira (auxiliar de Saud).

Oliveira ainda não havia sido preso até o fechamento desta edição, mas sua defesa disse que ele iria se entregar na sede da PF em São Paulo.
As prisões dos executivos foram necessárias, segundo a PF de Minas, porque eles omitiram informações em suas colaborações à Justiça. A defesa deles nega que isso tenha ocorrido.

“A Polícia Federal descobriu omissões intencionais e contradições graves que colocam em xeque a credibilidade da colaboração, isso caracterizou obstrução de Justiça e prejuízo à instrução criminal do inquérito policial instaurado”, afirmou Mário Veloso, delegado responsável pela investigação.

A operação investiga suposto esquema de corrupção no Ministério da Agricultura em 2014 e 2015, quando Andrade e Geller foram ministros na gestão de Dilma Rousseff (PT).

Em maio, a Polícia Federal de Minas instaurou um inquérito para apurar fatos narrados na delação da JBS, como um desmembramento determinado pelo próprio Supremo Tribunal Federal à época da homologação da delação.

O objetivo era investigar pagamento de propina no Ministério da Agricultura e a políticos do MDB em troca de benefícios para a empresa produtora de carnes.

Joesley, Saud e Castro estiveram na sede da PF em Belo Horizonte em três ocasiões para prestar depoimentos.

O delegado  afirmou, porém, que os delatores omitiram informações, como o pagamento de R$ 250 mil a Geller, por exemplo, que foi noticiado pela imprensa.

Outro ponto omitido, segundo Veloso, foi o pagamento de R$ 50 mil ao então deputado federal Manoel Junior (MDB-PB) para que ele promovesse a federalização das inspeções sanitárias por meio de uma emenda em uma medida provisória de 2014 que tratava do setor farmacêutico. Essa informação foi obtida pela PF em outro inquérito em andamento em Uberlândia.

A reportagem questionou se os pagamentos de propina não haviam sido revelados em momento algum pelos delatores, e o delegado informou que não. No entanto, conforme o advogado Pierpaolo Bottini, que defende Joesley, a participação de Caetano, funcionário da JBF, nos crimes investigados “sempre esteve clara”. “Ele, inclusive, entregou um anexo sobre o assunto”, diz Bottini.

No anexo, Caetano declara que entregou R$ 250 mil ao então ministro Geller, em seu gabinete em Brasília. O colaborador inclui no anexo uma foto que tirou com o ministro após a entrega.

Segundo a PF, a operação é baseada na delação de Lúcio Funaro (apontado como operador financeiro do MDB), que disse que havia um esquema de distribuição de suborno pela JBS para políticos do MDB e servidores dentro do Ministério da Agricultura, na gestão de Andrade.

Em troca do dinheiro, eram aprovadas medidas que beneficiariam os empresários. Segundo a investigação, entre as medidas, estavam licenciamentos e normas do ministério que, na prática, eliminaram a concorrência da empresa no mercado de carnes.

O ex-ministro Edinho Silva (PT) foi alvo de busca por ter intermediado pagamento de Saud a Geller. Seu braço direito, Manoel Sobrinho, também foi alvo pela mesma razão.

O inquérito apurou ainda que a JBS financiou ilegalmente, com R$ 30 milhões, a campanha do ex-deputado federal Eduardo Cunha (MDB-RJ) para a presidência da Câmara, em 2014. Cunha foi alvo de mandado de prisão, mas já está preso em Curitiba.

O esquema de lavagem teria envolvido seis escritórios de advocacia, captados por Magalhães, que intermediaram os pagamentos por meio de notas fiscais frias. Advogados dos seis escritórios também foram presos.

Waldir Rocha Pena, sócio da rede BH de supermercados, que participou da lavagem de dinheiro, teve a prisão decretada, mas está de férias no Uruguai. Sua defesa informou que ele irá se entregar.

Pela manhã, os executivos da JBS já presos foram para a sede da Polícia Federal em São Paulo. Andrade foi conduzido para uma penitenciária em Uberlândia (Triângulo Mineiro).

OUTRO LADO

O advogado de Joesley Batista, Pierpaolo Bottini, afirmou que seu cliente ficou surpreso com o mandado de prisão. Segundo Bottini, não há nenhum fato que Joesley não tenha apresentado às autoridades. A defesa pediu ao Tribunal Regional Federal que reconsidere a decisão que determinou a prisão temporária.

A J&F, dona da JBS, reiterou em nota essa afirmação e disse que “causa um imenso estranhamento e consequentemente insegurança jurídica que esses executivos estejam hoje sendo presos pelos fatos que eles mesmos levaram ao conhecimento da Justiça”.

A defesa do vice-governador de Minas, Antônio Andrade, afirmou que se manifestará assim em nota que tomar conhecimento do conteúdo do inquérito.

Em nota, as defesas de Demilton de Castro, Florisvaldo de Oliveira e de Ricardo Saud também afirmam não houve omissões e que entregaram todas as informações ao conhecimento da Justiça.

A reportagem não localizou as defesas dos demais.

Deixe seu comentario

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*