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Sob gritos de ‘Bolsonaro’, Câmara adia votação sobre Escola sem Partido

Sob gritos de ‘Bolsonaro’, Câmara adia votação sobre Escola sem Partido
Manifestantes contrários e favoráveis ao projeto protestaram na Câmara. Foto: Pedro Ladeira/Folhapress

O Lula tá preso, babaca”, grita uma mulher empu­nhando uma bandeira do Brasil. “Chama o exorcista, chama o exorcista”, rebate um coro que segura cartazes com o logo da CUT (Central Única dos Trabalhadores). A tensão entre manifestantes contrários e favoráveis ao projeto do Escola sem Partido marcou a sessão desta quarta-feira (31) na Câmara.

A confusão, que durou cerca de uma hora, teve bate-boca de Chico Alencar (PSOL-RJ) e Ivan Valente (PSOL-SP) contra Marco Feliciano (PSC-SP) sobre a ditadura militar, empurra-empurra na saída do plenário e gritos de “é Bolsonaro” e “Freire sim, Frota não” –em referência ao educador Paulo Freire e ao deputado eleito pelo PSL Alexandre Frota (SP).

Com a abertura da ordem do dia no plenário, que impede votações em comissão, a votação do parecer favorável ao projeto foi adiada. O presidente da comissão, Marcos Rogério (DEM-RO), membro da bancada evangélica e eleito para o Senado em 2018, marcou nova sessão para a próxima semana.

Segundo Rogério, caso novos protestos não permitam que a análise do texto avance, a reunião pode ser fechada ape­nas para parlamentares. “Isso é inconstitucional”, protestou a deputada Maria do Rosário (PT-RS).

Chegou a ser proposto um acordo de calendário sem obstrução, que não foi aceito por parlamentares da oposição. A obstrução é um conjunto de instrumentos regimentais que permite protelar a votação de uma matéria –por exemplo, pela apresentação de requerimentos ou pela utilização prolongada de tempos de fala.

O Escola sem Partido é um movimento criado em 2004 para combater uma suposta doutrinação de esquerda dos professores nas aulas, e que também atingiria livros. Encampada pela família Bolsonaro e por aliados do presidente eleito, a proposta é um dos tema que a bancada conservadora do Congresso quer ver avançar na Casa ainda nesta legislatura.

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