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Haddad pressiona por apoio explícito de Ciro na reta final

Haddad pressiona por apoio explícito de Ciro na reta final
Haddad acenou para Ciro Gomes na tentativa de obter um apoio mais enfático do político. Foto: Divulgação

O candidato do PT à presidência da República, Fernando Haddad, disse no Recife (PE) que ainda conta com declaração pública de Ciro Gomes (PDT), derrotado no primeiro turno, de que vai apoiá-lo contra Jair Bolsonaro (PSL). Ciro deve chegar ao Brasil nesta sexta-feira (26), após três semanas na Europa.

“Até minha mulher está com ciúme de Ciro, de tanto aceno que eu faço para ele. Eu chego em casa, ela: ‘E eu ?'”, brincou Haddad nesta quinta-feira.

“Vou continuar a fazer aceno porque boto o Brasil acima de tudo. Não é com arrogância que nós vamos enfrentar o desafio que está posto. A gente precisa ter humildade diante da situação e tem de partir de mim. Como estou no segundo turno, tem de partir de mim esse gesto”, prosseguiu o petista.

Para aliados de Haddad, uma manifestação pública de Ciro poderia impulsionar a sonhada virada. O entorno do pedetista, no entanto, considera pouco provável que faça um aceno explícito ao PT.

Haddad telefonou para Carlos Lupi, presidente do PDT, na quarta-feira e o pressionou, dizendo que talvez Ciro não estivesse vendo uma “onda” em favor do petista. Lupi respondeu que não falaria por ele.

A intenção do grupo do pedetista era tornar a recepção a Ciro no aeroporto de Fortaleza uma espécie de lançamento informal de sua candidatura à sucessão em 2022. Desde que perdeu as eleições, Ciro deu só apoio crítico ao petista. Fez críticas duras a Bolsonaro e defendeu a democracia, mas não se engajou na campanha do petista.

Sob pressão de dirigentes do partido – e também de aliados de fora dele –, Haddad voltou às bases petistas na reta final do segundo turno. Desde o primeiro turno, o petista tem perdido terreno para seu adversário em um eleitorado que, tradicionalmente, sempre votou no partido de Lula e tem sido aconselhado a se voltar para essas pessoas na reta final.

Além da visita a Pernambuco, Haddad prevê seguir nesta sexta-feira para duas capitais nordestinas – João Pessoa e Salvador. O petista deve terminar a campanha em um ato em São Paulo, no sábado.

O candidato do PT insiste desde o início do segundo turno em fazer acenos à centro-direita e atrair nomes como o do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) para compor uma frente democrática contra Bolsonaro – por enquanto sem sucesso.

No sentido contrário, dirigentes do PT e o rapper Mano Brown, por exemplo, pressionaram Haddad a se voltar ao eleitor mais pobre – que, nas palavras de um líder do partido, “vazou para Bolsonaro” no primeiro turno. Em discurso num ato no Rio, Brown disse achar que a eleição já está decidida a favor de Bolsonaro e que, se o PT “não conseguiu falar a língua do povo, tem de perder mesmo”.

No dia seguinte, Haddad reconheceu a crítica e afirmou, em São Paulo, que precisa “se reconectar com a periferia, com a dor das pessoas”. A aparente contradição de Haddad ao tentar atrair o centro ao mesmo tempo em que acena ao eleitor mais pobre deve seguir até o último minuto do segundo turno.

Na semana passada, Haddad foi convencido a anunciar medidas direcionadas ao eleitorado petista e, em agendas no Nordeste, falou que, se eleito, aumentará em 20% o Bolsa Família e colocará teto no preço do botijão de gás no valor de R$ 49.

 

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