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Prefeito inicia substituição do secretariado de interina

Prefeito inicia substituição do secretariado de interina
Alaíde Damo montou primeiro escalão de sua confiança. Foto: Reprodução/Facebook

O prefeito de Mauá, Atila Jacomussi (PSB), deu início ontem (13) às mudanças no secretariado herdado da vice-prefeita Alaíde Damo (MDB), que governou interinamen­te a cidade no período de pouco mais de quatro meses de afastamento do socialista.

Durante a entrevista concedida ontem, o prefeito anunciou as saídas dos secretários de Administração, Paulo Cordeiro; e de Governo, Antonio Carlos de Lima. Destes, ape­nas o primeiro tem o sucessor definido, Marcos Maluf.

À tarde, portaria publicada no site da prefeitura informava a exoneração do superin­tendente da autarquia de Sa­ne­amento Básico de Mauá (Sa­­­ma), Mauro Sérgio Moreira.

Porém, a reportagem apu­­rou no início da noite que também devem deixar o go­­verno os secretários Marcelo Lima Barcellos de Melo (Saúde), Caio Evangelista (Cultura), Cássia Cogueto (Relações Ins­ti­tucionais), Laura Demarchi (Políticas Públicas para Mu­lheres) e Temistocles Cristofa­ro (Planejamento Urbano).

Alaíde assumiu o comando do Paço em 15 de maio e e­xonerou aliados de Atila, montando primeiro escalão com pessoas de sua confiança, o que estremeceu a relação com a família Jacomussi.

Atila, porém, garantiu que não fará o “governo da vingança”. “Não vou pagar o mal com o mal. Vou fazer as mudanças necessárias, porque estamos em estado de calamidade financeira e vou precisar pagar a rescisão dessas pessoas. Se ocorrer alguma troca, será feita com critério”, disse.

SEM LIGAÇÃO

Atila afirmou que, nos mais de quatro meses de afastamento, não recebeu uma ligação sequer da vice-prefeita e colega de campanha eleitoral em 2016. “Alaíde devia estar muito ocupada”, ironizou.

O socialista também afirmou que não fará um gover­no “de nepotismo”, referindo-se ao fato de a prefeita interina ter nomeado um sobrinho (Lima) para a Secretaria de Governo e a sobrinha Denise Debartolo para Educação.

Atila, porém, esquivou-se de analisar a gestão de Alaíde. “Quem tem de avaliá-la é a população de Mauá.”

‘Sei da minha inocência e tenho certeza de que será comprovada’

Atila Jacomussi  ne­gou envolvimento em organização criminosa investigada no âm­­bito da Operação Prato Feito, da Polícia Federal, que o prendeu no dia 9 de maio acusado de participação em esquema de desvio de verbas da União destinadas à educação pa­ra o fornecimento de me­ren­da escolar.

“Não existe nenhum envolvimento da cidade, nem de minha pessoa, com a Ope­ração Prato Feito. Ne­nhuma empresa investigada na ope­ração tem contrato com a Pre­feitura de Mauá, e a merenda não é terceirizada, porque é preparada por me­rendeiras concursadas”, disse o socialista, durante a entrevista coletiva concedida ontem (13), no Paço.

Atila e o então secretário de Governo do município João Gaspar (PCdoB) foram presos após a PF encontrar na casa do prefeito R$ 85 mil e na do secretário, R$ 588 mil e € 2.985 em dinheiro vivo.

Atila afirmou que justificou à Justiça a origem do di­nheiro encontrado. “Comprovei, desde a audiência de custódia, com meu trabalho, por meio de alugueis e por meio da pensão alimentícia do meu filho”, argumentou.

“Sei da minha inocência e tenho certeza de que será comprovada brevemente. Se hoje estou aqui é porque não há indícios necessários para me manter preso”, prosseguiu.

Atila foi solto em 15 de ju­nho, depois que o ministro do Supremo Tribunal Fede­ral (STF) Gilmar Men­des defe­riu habeas corpus para libertar o prefeito, que es­tava preso na penitenciária de Tre­membé, no Interior paulista. Porém, estava proibido de frequentar a prefeitura.

Na última terça-feira, Men­­des deferiu nova limi­nar, desta vez para o socia­lista reassumir o cargo.

EXCESSO

Também presente à coletiva, o advogado de Atila, Daniel Bialski, afirmou que a decisão de devolver o cargo ao prefeito é um reco­nhecimento da arbitrariedade da prisão e do excesso das medidas res­tritivas impostas ao socia­lista. “Não havia justificativa para afastar o Atila das funções públicas”, disse.

Bialski considera impro­vável que a liminar que devolveu Atila à prefeitura seja revogada. “Temos recursos pendentes em todas as ins­tências”, afirmou.

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