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Dólar encerra o dia cotado a R$ 4,19, maior valor desde o Plano Real

A dólar avançou nesta quinta-feira (13) 1,13%, indo a R$ 4,1970. Sem considerar a inflação do período, é o maior patamar de fechamento desde o Plano Real. Em termos reais, no entanto, a cotação está distante da máxima, que seria ao redor de R$ 6.

Um dado discutido nas mesas de operações ao longo do dia que alimentou a instabilidade foi a divulgação da pesquisa encomendada pela CUT (Central Única dos Trabalhadores) e executada pelo Vox Populi sob o registro BR-01669/2018 no TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

O levantamento mostrou Haddad na liderança com 22% das intensões de voto, seguido por Jair Bolsonaro (18%).

É a única pesquisa que não mostrou o capitão reformado na primeira posição desde a saída do ex-presidente Lula da disputa.

O resultado diverge de outras pesquisas. Na pesquisa Datafolha de terça-feira (11), por exemplo, Bolsonaro aparecia com 24% da preferência dos eleitores; Haddad, com 9%, empatado na margem de erro com Ciro Gomes (PDT), Marina Silva (Rede) e Geraldo Alckmin (PSDB).

A incerteza eleitoral fez com que o Brasil não conseguisse se beneficiar de um dia positivo no cenário externo.

O pregão foi favorável a economias em desenvolvimento, com destaque para a Turquia, que anunciou alta na taxa de juros e conseguiu sustentar a lira turca, a moeda emergente que mais se valorizou ante o dólar nesta quinta.

De uma cesta de 24 divisas desses países, o dólar perdeu valor para 21.

As exceções foram o peso argentino, o real e a rúpia indonésia.

O dia foi negativo também para a Bolsa brasileira, que fechou em queda. O Ibovespa, principal índice acionário do país, cedeu 0,58%, a 74.686 pontos. No exterior, as Bolsas americanas fecharam no azul, enquanto as europeias tiveram desempenho misto.
Arnaldo Curvello, da Ativa Investimentos, resumiu o dia como de tensão pré-pesquisa.

“O que vai se desenhando é um cenário de candidaturas ao extremo com mais chances de ir ao segundo turno. E vai haver, em maior ou menor número, uma transferência de votos [de Lula] para Haddad”, afirma.

Em um ato em frente à sede da Polícia Federal em Curitiba, na terça-feira (11), última dia do prazo para a troca de candidato, Haddad foi confirmado como o nome do PT no lugar de Lula, preso desde abril.

Curvello diz que o mercado chegou a buscar em Haddad sinais do discurso econômico mais próximo do adotado por Lula em 2002. No entanto, as falas mais recentes sinalizariam uma política econômica mais alinhada ao governo Dilma Rousseff.

“Acho que isso também tem feito com que o mercado fique mais receoso, mas é natural que aconteça porque há uma disputa pelo voto de esquerda”, diz o analista da Ativa.

Roberto Indech, da Rico Corretora, afirma que o mercado começa a enxergar a reta final da campanha e buscará, nas próximas pesquisas, a consolidação da campanha do PT e os sinais de tração de Alckmin após cerca de 20 dias de horário eleitoral na TV.

O tucano é citado diariamente por analistas, que depositam nele esperanças de continuidade de reformas econômicas consideradas necessárias para recuperação da economia brasileira, como a da Previdência.

“A questão do Haddad é que já tem essa expectativa de que ele vá ganhar força. É o candidato que tem mais força para ir no segundo turno junto com Bolsonaro”, projeta Indech.

Nesta sexta-feira (13) será divulgada a primeira pesquisa Datafolha depois da confirmação do ex-prefeito de São Paulo na corrida eleitoral. Os dados saem às 19h, após o fechamento dos mercados.
Segundo a economista da CM Markets, Camila Abdelmalack, todas as pesquisas serão esmiuçadas daqui até o final da eleição, com impacto direto sob os mercados de risco.

Fora do espectro petista, notícias sobre a saúde de Bolsonaro também preocuparam investidores. Vítima de um atentado à faca há pouco mais de uma semana, o candidato passou por uma cirurgia de emergência na noite de quarta-feira (12).

Bolsonaro segue hospitalizado em e crescem as dúvidas sobre a capacidade de retomar a campanha e conquistar novos votos, ainda que a exposição na imprensa seja vista como positiva por investidores.

Nesta quinta, o coordenador da campanha de Bolsonaro, o deputado federal Major Olímpio, disse que o partido não tem “capacidade de levar milhares às ruas” sem a presença do candidato.

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