Economia

Bolsa cai mais de 2% e dólar retorna a R$ 4,15 após pesquisa Datafolha

A perspectiva entre investidores de que um candidato da esquerda possa chegar ao segundo turno e derrotar Jair Bolsonaro (PLS) pressionou para baixo a Bolsa brasileira nesta terça-feira (11) e fez o dólar interromper três dias seguidos de queda.

A moeda americana avançou 1,48% em relação ao real, para R$ 4,155.
O Ibovespa, índice que reúne as ações mais negociadas, caiu 2,33%, a 74.656 pontos, descolado do fechamento positivo em Wall Street.

O mercado não reagiu bem aos cenários apontados pela pesquisa Datafolha, divulgada na noite de segunda (10).

O levantamento mostrou Ciro Gomes (PDT) em segundo lugar na disputa, com 13% das intenções de voto, ante 10% anteriormente.
Fernando Haddad (PT), confirmado como candidato no lugar de Lula nesta tarde, saltou de 4% para 9% e encontra-se tecnicamente empatado não só com Ciro, mas também com Geraldo Alckmin (PSDB) e Marina Silva (Rede).

“O mercado está tenso com o risco de uma disputa apertada entre Bolsonaro e PT no segundo turno”, diz Alessandra Ribeiro, sócia e diretora de macroeconomia e política da consultoria Tendências.

Alckmin, candidato preferido entre a maioria dos agentes financeiros por ser visto como um nome mais reformista, demonstrou que dominar 44% do tempo de propaganda na TV não foi, até o momento, suficiente para que ele deslanchasse nas pesquisas.

As intenções de voto no tucano subiram apenas um ponto percentual, de 9% para 10%.

“Está tudo muito incerto, até a questão da influência do programa de rádio e TV. Existem hoje muitos canais que podem influenciar a decisão do eleitor”, diz Mauricio Nakahodo, economista do Banco MUFG Brasil.

O Datafolha apontou ainda Marina despencando de 16% para 11%. “A ligação com Lula se cristalizando em crescimento de Haddad deve tirar mais votos da Marina, que vinha apoiada em um eleitorado típico do PT, de menor renda e escolaridade”, avalia Ribeiro, acrescentando que deve haver ainda uma disputa por votos entre Haddad e Ciro.

Bolsonaro segue na liderança com 24% das intenções de voto -antes tinha 22%. O mercado se frustrou, no entanto, porque esperava que o ataque a faca que o candidato sofreu na última semana poderia dar mais tração a seu nome e enfraquecer a esquerda.

“A especulação era que ele poderia crescer muito, mas não foi o que aconteceu. Ainda assim, a pesquisa mostra que Bolsonaro cristalizou um eleitorado próprio, mesmo com rejeição crescente, o que abre bom espaço para ele chegar ao segundo turno”, diz Ribeiro.

A rejeição ao candidato do PLS subiu de 39% para 43%.
Para Ribeiro, apesar do avanço tímido de Alckmin, não é possível cravar que o tucano está fora da disputa. “O voto útil do centro-direita, fragmentado em outros candidatos abaixo de Alckmin nas pesquisas, pode dar um impulso na reta final”, afirma.

Alberto Ramos, economista-chefe para América Latina do Goldman Sachs, destaca que, além do fator político doméstico, o entorno também não esteve muito favorável a moedas de países emergentes.
Das 24 principais divisas, 11 se desvalorizaram em relação ao dólar neste pregão, com o vizinho Argentina liderando as perdas (-1,60%).

Economistas apontam que, independentemente de quem vença as eleições, se ajustes fiscais não forem realizados, o Brasil continuará vulnerável a turbulências externas,

“É uma questão que nenhum dos presidenciáveis consegue fugir, porque o teto de gastos vai bater”, diz Ronaldo Patah, estrategista de investimentos do UBS Wealth Management.

É neste ponto que Carlos Melo, cientista político do Insper, ressalta a aceitação do mercado a Bolsonaro, diante de uma esperança menor na vitória de Alckmin.

“Não é o que os investidores sejam apaixonados por ele, mas o mercado acredita em uma agenda liberal a partir do Paulo Guedes [economista da campanha de Bolsonaro]. Isso é uma crença, pode se concretizar ou não, mas a tese é que no seu governo haveria uma agenda mais liberal, de ajuste fiscal, privatizações”, afirma.

A pesquisa foi feita no dia 10 de setembro de 2018, com 2.804 entrevistas presenciais, em 197 municípios, com eleitores de todas as regiões do país. A margem de erro máxima é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, para o total da amostra. O nível de confiança é de 95%. A pesquisa foi registrada no TSE com o número BR 02376/2018.

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