Artigo, Serviços

Especialista alerta sobre os riscos da bioplastia

Nas últimas semanas, os veículos de imprensa repercutiram diversos casos de complicações médicas relacionadas à realização de procedimento estético conhecido como bioplastia (técnica de aplicação da PMMA – sigla para Polimetilmetacrilato), um tipo de plástico derivado do acrílico que é utilizado para preenchimento de volumes do tecido corporal ou facial, alterando a forma destas regiões.

Em princípio, a aplicação de PMMA tinha como foco apenas casos de hipotrofia facial em pacientes com HIV, porém, mais tarde, passou a servir também como preenchedor estético. A utilização desta substância está autorizada pela ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), mas o seu uso é indicado somente para pequenas otimizações e intervenções da face. Quando utilizado por um profissional não capacitado, que desconhece ou ignora essas recomendações, eleva significativamente o risco de intercorrências.

Com a prerrogativa de orientar adequadamente a população e manter a saúde dos pacientes atendidos, a Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF) divulgou um comunicado em que ressalta a importância da capacitação para que o profissional esteja apto a realizar procedimentos deste porte. As cirurgias estéticas faciais fazem parte do curriculum mínimo da Residência Médica e Especialização em Otorrinolaringologia e o Título de Especialista em Otorrinolaringologia conferido pela ABORL-CCF em convênio com a Associação Médica Brasileira (AMB), Conselho Federal de Medicina (CFM) e Comissão Mista de Especialidade Médica, habilita aos seus portadores atuarem na região anatômica da face humana, de forma estética e/ou reparadora da face.

A Resolução do próprio Conselho Federal de Medicina reconhece como área de atuação da Otorrinolaringologia a Foniatria e Cirurgia Crânio-Maxilo-Facial, abrangendo o diagnóstico e tratamento de afecções do esqueleto crânio-facial que incluem anomalias congênitas e adquiridas (traumas e tumores), além das reconstruções e das intervenções com finalidade estética e funcional, relata o comunicado.

Por conta disso, colocamo-nos formalmente contrários a que a medicina seja exercida por profissionais que não estejam aptos tecnicamente e não cumpram com a ética e o zelo, cuidados inerentes dos quais são essenciais para tratamento dos pacientes, preservando a saúde da população. Assim, é importante também que o paciente esteja atento e contribua, pesquisando sobre a devida capacitação técnica do profissional com o qual ele pretende realizar o procedimento, prevenindo-se e minimizando os riscos de qualquer intercorrência.

Dr. Eduardo Baptistella
Delegado da Academia Brasileira de Cirurgia Plástica da Face

Deixe seu comentario

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*