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Mercosul cede, mas acordo com UE segue sem desfecho

Os países do Mercosul ampliaram suas ofertas nos setores automotivo, de serviços e de indicação de origem, em mais uma tentativa de chegar a um acordo de abertura comercial com a União Europeia.

Após dois dias de reuniões ministeriais, as tratativas, porém, não chegaram a um desfecho. Nova reunião está prevista para setembro, em Montevidéu. As negociações se arrastam desde 2010.

O Mercosul enviou oito ministros a Bruxelas para demonstrar o interesse do bloco em chegar a um consenso.

Os governos do Brasil e da Argentina têm interesse em fechar o acordo ainda nas gestões de Michel Temer e Mauricio Macri (que fica no cargo até dezembro de 2019).

Os negociadores brasileiros, contudo, ficaram frustrados com a ausência de uma contraproposta dos europeus no setor agrícola.

O Mercosul tem interesse na abertura do mercado europeu, principalmente para carne bovina, frango e açúcar. Os europeus pretendem vender mais produtos industrializados ao bloco.

No primeiro dia de reunião, na quarta-feira (18), o negociador europeu para o setor agrícola, Phil Hogan, deixou o encontro sem novas ofertas.
Restou ao Mercosul avançar na parte industrial e de serviços, a fim de manter as tratativas.

Nesta quinta (19), os dois lados falaram em “avanços concretos”, após a segunda rodada de conversas.

O chanceler argentino, Jorge Faurie, indicou, em nota, que espera um acordo em setembro. “O esforço que fizemos ambos os blocos nos deixa frente à etapa final de discussões.”

Entre brasileiros, o clima é menos otimista.

Para o país, é hora de os europeus apresentarem propostas no setor agrícola.

No setor automotivo, os países do Mercosul ofereceram cotas para a importação de veículos com taxação mais baixa até a completa abertura do mercado, após 15 anos.

Pelo que está sendo negociado, entre 30 mil e 60 mil veículos europeus poderiam pagar 50% da tarifa de importação durante o período de transição até a abertura total.

Carros híbridos e elétricos seriam isentos da tarifa.

Outro avanço foi na indicação de origem. Os europeus querem restringir o uso de nomes, como queijo parmesão, a alguns produtos que têm origem em seus países.

De uma lista inicial de 357 itens que poderiam ser afetados, o Mercosul aceitou ceder em 317. Nessa rodada, houve acordo sobre outros 20.

Para Diego Bonomo, gerente-executivo de assuntos internacionais da CNI (Confederação Nacional da Indústria), o resultado foi frustrante, com “um erro tático e outro estratégico”.

O erro tático da União Europeia foi não ter apresentado uma proposta final mais clara e detalhada.

O estratégico foi ter perdido a oportunidade de mostrar ao mundo um exemplo de esforço positivo num momento tão delicado como o atual em que Estados Unidos e China se enfrentam em uma guerra comercial.
Bonomo considera que, desta vez, o setor industrial brasileiro atingiu seu ponto de maior flexibilidade, mas as expectativas estão diluídas.

“Diante do que a UE apresentou, não tem muito o que fazer. Se chegar setembro e ela apresentar uma proposta mais clara do que pode oferecer, principalmente na área agrícola, a gente avalia. Mas, claramente, a União Europeia ficou refém dos grupos agrícolas do bloco”, diz Bonomo.

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