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EUA denuncia russos por ataque hacker a democratas e órgãos eleitorais em 2016

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos anunciou nesta sexta-feira (13) que denunciou 12 agentes de inteligência russos, sob acusação de promoverem um ataque hacker aos computadores do partido Democrata e da campanha de Hillary Clinton durante as eleições presidenciais de 2016.

É o mais novo desdobramento da investigação do FBI sobre a interferência da Rússia na disputa que elegeu Donald Trump -e que promete criar uma saia justa a mais no encontro entre o americano e o presidente russo Vladimir Putin, na segunda-feira (16).

Segundo a denúncia, os 12 russos trabalhavam para o GRU, o departamento central de inteligência do governo de Vladimir Putin. O objetivo era interferir nas eleições americanas.

Eles chegaram, sem sucesso, a tentar invadir os sistemas dos órgãos eleitorais que comandam a votação nos estados americanos. Em um deles, os russos conseguiram roubar nomes, endereços, data de nascimento e número de documento de 500 mil eleitores.

Os sites dos órgãos eleitorais da Flórida, Geórgia e Iowa, assim como companhias que fornecem softwares para a eleição, também foram alvo dos ataques.

O Departamento de Justiça, porém, destaca que não há notícia de que os crimes tenham alterado o resultado das eleições, tampouco de que algum cidadão americano tenha se envolvido ou soubesse da conspiração russa.

“A internet permite a adversários estrangeiros atacarem a América de novas e inesperadas formas”, afirmou o vice-procurador-geral dos EUA, Rod Rosenstein, que declarou que o governo vai proteger o processo de eleições livres e justas no país.

Trump, que está em viagem à Europa e é apontado como o principal beneficiário da atuação russa nas eleições de 2016, ainda não havia se manifestado sobre o assunto até a publicação desta reportagem. Ele é um crítico da investigação do FBI, que chama de uma “caça às bruxas”.

A infiltração nos computadores e nas contas democratas teria começado por meio de uma tática conhecida como “spear phishing”, com o envio de emails que, uma vez abertos, liberam malwares e roubam informações como senhas e documentos, além de permitirem o monitoramento remoto do sistema.

A estratégia teria atingido voluntários e membros da campanha de Hillary Clinton, incluindo seu coordenador, assim como computadores do diretório nacional dos democratas.

De acordo com o Departamento de Justiça, o material colhido nesses computadores foi divulgado em um site chamado DCleaks.com, que se dizia mantido por “hacktivistas americanos”.

Após as suspeitas de que o material estivesse sendo distribuído por agentes russos, o grupo ainda criou um perfil falso, de um suposto hacker romeno, que assumia a responsabilidade pelo site.

A denúncia acusa os russos de 11 crimes, entre eles, crime contra os EUA por meio de operações cibernéticas, roubo de identidade e lavagem de dinheiro.

Em nota, o partido Democrata informou que esse foi “um ataque contra eleitores americanos”.

“Isso não é uma caça às bruxas”, declarou Tom Perez, presidente do Comitê Nacional Democrata. “Os esforços do Kremlin para perturbar nosso processo eleitoral têm graves implicações em nossa democracia.”

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