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Trump chega ao Reino Unido em momento de pressão para relação especial

O  presidente norte-americano, Donald Trump, chegou a Londres no início da tarde desta quinta (12, manhã no Brasil) para sua primeira visita ao Reino Unido.

O Air Force One pousou no aeroporto de Stansted, ao norte de Londres, depois de deixar Bruxelas. Ele foi recebido pelo secretário britânico de Comércio Exterior, Liam Fox.

Sem uma pauta específica de negociações, a visita ocorre em meio a protestos e tensões e vai tentar promover a histórica relação especial entre os dois países, buscando evitar atritos mais do que avançar acordos. Para os dois governos, o cenário ideal para a série de encontros é o da monotonia e da falta de incidentes.

“Em muitos sentidos, a visita não favorece ninguém e pode gerar problemas para as relações entre os dois países”, explicou Jacob Parakilas, vice-diretor do programa das Américas do think tank inglês Chatham House.

Com as tensões em torno do “brexit” e a crise interna no governo de Theresa May (que viu a renúncia de alguns dos seus ministros mais importantes), enquanto os EUA se aproximam da eleição de um novo Congresso, que pode enfraquecer o presidente, o calendário político não é favorável para negociações nos dois países.

“Não há nada particularmente importante a ser discutido. Não tem nada na mesa de negociações que possa avançar especificamente agora. É uma viagem para construir relacionamentos. Seria uma visita convencional, mas, com Trump, nada é totalmente convencional. E há riscos”, explicou.

Parte dos riscos vem do fato de que a visita de Trump ocorre depois de uma série de desencontros e desavenças entre os dois países desde que o americano tomou posse. A relação começou de forma próxima. May foi a primeira líder internacional a visitar Trump em Washington e, logo, convidou-o para ir a Londres, mas a reação negativa do público britânico fez com que o encontro não ocorresse.

Mais tarde, o presidente americano cogitou participar da inauguração da nova embaixada dos EUA em Londres, em fevereiro deste ano. Ele cancelou o plano depois de trocar farpas com o prefeito de Londres, Sadiq Khan, de criticar May pelo Twitter e de ser repreendido pela primeira-ministra por compartilhar vídeos de cunho anti-islâmico publicados por uma organização ultranacionalista britânica.

A tensão levou especialistas a verem estremecimento na dita “relação especial”.

Divergências do passado e controvérsias mais recentes abrem o terreno perigoso para a visita atual. Trump chegou a Londres depois de uma participação contenciosa na cúpula da Otan, em Bruxelas.

Em entrevista coletiva pouco antes de deixar a cúpula da Otan a caminho de Londres, Trump evitou se posicionar diretamente sobre as negociações do “brexit”, mas comentou que o caminho seguido pelo Reino Unido atualmente parece diferente do que foi decidido no plebiscito pela saída britânica da União Europeia.

“Eu diria que ‘brexit’ é ‘brexit’. As pessoas votaram para romper, então imagino que é isso que vai ser feito. Mas talvez eles estejam seguindo uma rota diferente. Não tenho certeza de que foi nisso que as pessoas votaram”, disse.

Além de se envolver em questões internas do Reino Unido, ele pode não reagir bem se for pressionado por May a se posicionar de forma crítica em relação à Rússia, que é acusada pelo governo britânico de ter usado um agente nervoso para envenenar pessoas no Reino Unido.

Além disso, a retirada dos EUA do acordo nuclear com o Irã também pode criar desavenças, segundo Parakilas.

“É impossível prever como ele vai se comportar. O fato de não haver nada imediatamente na mesa elimina parte dos riscos, mas tudo depende do que Trump estará pensando, especialmente depois do clima tenso na reunião da Otan. Se ele chegar da forma tão agressiva, pode haver problemas”, disse.

Por outro lado, Trump costuma preferir encontros e negociações bilaterais, avaliou Parakilas, então isso pode gerar um clima mais amigável na visita.

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