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Filha de Enéas usará bordão e nome do pai

Além do nome e da ideologia, a pré-candidata do PMB (Partido da Mulher Brasileira) ao governo de Minas Gerais também passará a dividir com o pai o bordão que lhe rendeu fama: “Meu nome é Gabriela Enéas”, dirá na campanha.

A filha do médico e professor Enéas Carneiro, fundador do extinto Prona (Partido de Reedificação da Ordem Nacional), espera que a associação com o pai, morto em 2007, lhe traga votos. Gabriela Guimarães Carneiro terá como nome de urna “Gabriela Enéas, filha do dr. Enéas”.

Enéas disputou as eleições presidenciais em 1989, 1994 (quando ficou atrás apenas de Fernando Henrique Cardoso e Lula) e 1998, sendo eleito deputado federal em 2002 com votação recorde de 1,57 milhão de eleitores.

“Com certeza, vamos manter o bordão. Acredito que eu tenho esse direito, né? Sou filha legítima e sou muito parecida com ele”, diz à reportagem.

Aos 46, a carioca que dá aulas particulares lançará sua pré-candidatura na segunda-feira (16) em Belo Horizonte. O partido busca a presença do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) no evento.

“Meu pai era amigo de Bolsonaro”, diz Gabriela. Mas, ao ser questionada sobre suas preferências e apoios políticos no plano nacional, evita responder: “Estamos conversando. Talvez numa próxima entrevista a gente possa falar de novo sobre esse assunto”.

Gabriela afirma que levantará as bandeiras do pai, como o nacionalismo -também presente no discurso de Bolsonaro. “Sou a favor de proteger o patrimônio do povo, a matéria-prima, as riquezas estratégicas. Todos os países ricos defendem a soberania nacional. O dinheiro tem que ficar aqui para que sejamos um país rico.”

A pré-candidata diz se inspirar na ideologia de reforma de Enéas para encampar o tema anticorrupção. “Meu pai falava uma coisa que eu concordo muito. Só tem uma maneira de sair da crise: é mudar toda a estrutura do poder. Pessoas jovens têm que entrar na política para sair essa corja.”

Rejeitando a classificação de direita ou esquerda, Gabriela diz ser “a favor do bem e da população” e aponta suas divergências com Enéas, associado a um pensamento conservador, autoritário e militarista.

A defesa da democracia e não da ditadura, do desarmamento e da liberdade sexual destoam também de Bolsonaro. “A única diferença com meu pai é que eu sou mulher e sou de outra geração. Sou totalmente a favor de escolher o sexo que você quiser, de casar com quem você quiser. Não sou homofóbica. As pessoas têm que ser felizes.”

Ao justificar a escolha do PMB, ela ressalta a valorização das mulheres na política, mas foge de um assunto central, o aborto. “Você jura que tem que fazer essa pergunta? Preferia não entrar nesse aspecto, esse não é o ponto da nossa campanha”, diz.

Numa tentativa de resposta, porém, reitera ser a favor da família e, ao mesmo tempo, pondera que toda mulher tem direito de escolher ser mãe.

O PMB ainda não tem determinado o tempo de TV e a verba para a campanha de Gabriela. Tampouco definiu alianças partidárias e os nomes para as vagas de vice e Senado.

Gabriela já concorreu a deputada federal em 2006 pelo Prona -obteve 126 votos. Em 2008, quando o Prona já havia se fundido com o PL para criação do PR, disputou o cargo de vereadora no Rio pelo PMN, ficando com 266 votos.

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