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Descansada, França pegará rival ‘com um jogo a mais’

França pegará rival ‘com um jogo a mais’
Pogba descartou favoritismo: “Os croatas fizeram um jogo muito difícil e conseguiram vencer”. Foto: Reprodução/Facebook/FFF

Quando o árbitro turco Cuneyt Çakir apitou o final do jogo, Luka Modric correu para comemorar e depois desabou em campo. “Meus jogadores estão exaustos”, admitiu o técnico da Croácia, Zlatko Dalic. Além do talento dos seus atletas, o desgaste do rival é uma grande vantagem da França para a final da Copa, neste domingo (15), em Moscou.

Os atletas de Didier Deschamps estão em melhores condições físicas e mais descansados no Mundial.

Os franceses tiveram de correr menos por partida. Também ficaram em campo tempo menor do que os adversários da decisão. Os jogadores da França percorreram ao todo 608 quilômetros até agora no torneio. Os da Croácia, 723.

A partir das oitavas de final, os franceses tiveram 270 minutos de futebol. Os croatas ficaram em campo por 360 minutos. Seria como se tivesse disputado uma partida a mais para chegar à final.

A França venceu todos os confrontos eliminatórios, diante de Argentina, Uruguai e Bélgica, no tempo normal. A Croácia enfrentou três prorrogações, contra Dinamarca, Rússia e Inglaterra. Em todas as partidas, levou o primeiro gol e teve de correr atrás do empate. Duas vezes venceu em disputas de pênaltis.

“Ao chegar ao final da competição, há o desgaste, sobretudo quando você enfrenta três prorrogações. Eles (croatas) devem estar cansados. Porém, em uma final você passa por cima disso. É um jogo para ser campeão do mundo. Mesmo cansados, eles estarão lá tentando tudo, como nós estaremos”, disse o zagueiro Umtiti, autor do gol que pôs a França na final.

Mesmo antes da semifinal com os ingleses, a Croácia se preocupou em não fazer treinos que pudessem exigir demais do elenco. A França seguiu sua programação pré-determinada de atividades.

Além de ter jogado por mais tempo e de ter sofrido desgaste físico e emocional de prorrogações e pênaltis, a Croácia terá um dia a menos para se preparar. Os franceses se classificaram na terça-feira (10). Quando a Croácia terminou de comemorar a vitória sobre os ingleses e entrou no vestiário, já era madrugada de quinta.

“Deixei os jogadores celebrarem (a classificação) e dei folga. Estão concentrados há quase 50 dias. Sabem o que podem ou não fazer”, afirmou o técnico croata Zlatko Dalic.

Durante a Copa do Mundo, os jogadores croatas correram, em média, quase 19 quilômetros mais que os franceses por partida. Somaram 120,5 km, contra 101 km da França.

Não há integrante do elenco de Didier Deschamps que tenha ficado tanto tempo em campo quanto Luka Modric, o astro da atual geração croata.

O jogador do Real Madrid atuou por 603 minutos no Mundial até agora, média de 100,6 a cada jogo. Não à toa, durante a segunda etapa do tempo normal contra a Inglaterra, o meia parecia muito cansado e aproveitava cada paralisação para curvar o corpo, colocar as mãos sobre os joelhos e puxar o ar.

O francês com mais tempo em campo na Copa é Kanté, com 540 minutos. Não foi substituído nos seis jogos. “(Kanté) É nosso motor em campo. Não para um segundo”, disse Pogba após a vitória por 1 a 0 sobre os belgas.

Nenhuma seleção foi campeã mundial após enfrentar três prorrogações nas fases eliminatórias. São tantas estatísticas favoráveis que os franceses começaram a se incomodar, não querem o favoritismo exacerbado porque isso aconteceu na final da Euro 2016, em casa, contra Portugal, e perderam.

“Não pensamos em favoritismo. Os croatas fizeram um jogo muito difícil contra a Inglaterra e conseguiram vencer. São fortes. Não somos favoritos”, afirmou Paul Pogba.

É comum no futebol um time evitar a todo custo declarações que possam ser vistas como menosprezo ao adversário. A palavra “favorito” é um sacrilégio, ainda mais antes da partida mais importante que o futebol pode oferecer.

Os franceses não querem isso e pouco importa o quanto os croatas tenham se desgastado. Na semifinal contra a Bélgica, os 13 franceses que entraram em campo percorreram ao todo 102 km. No dia seguinte, diante dos ingleses, a Croácia correu 143 km. Quase uma maratona a mais.

 

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