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França repete sina de 1998 com centroavante sem gols

Olivier Giroud, 31 anos, centroavante da França, ainda não fez gols na Copa do Mundo, nem acertou um chute ao gol. Porém, sabe o seu valor. A cada pergunta sobre suas estatísticas na Rússia, faz cara de enfado, de quem já teve de responder à pergunta muitas vezes antes mesmo do Mundial.

“Sei que sou importante para o time. Minha função em campo tem valor. Os gols não aconteceram ainda, mas não estou preocupado com isso. O treinador acredita em mim”, afirmou o atacante após a vitória sobre o Uruguai nas quartas de final do Mundial.

É uma variação bem mais educada da resposta que o meia brasileiro Dirceu deu para os jornalistas antes do início da Copa de 1982, na Espanha. Cansado da insistência em saber os motivos de Telê Santana para escalá-lo, o jogador explodiu: “Eu estou no time do Telê. Se não estou no time da imprensa, azar de vocês”.

Dirceu logo saiu da equipe titular, mas isso não acontecerá com Giroud. O técnico da França, Didier Deschamps, avisou que está escalado para a final da Copa, no domingo (15), em Moscou, contra a Croácia.

“Giroud não marcou ainda. Eu repito: ainda”, ressaltou o treinador francês.

Deschamps fica descontente com as comparações da equipe atual com a de 1998, mas é inevitável lembrar que a situação francesa em 2018 lembra a do time campeão de 20 anos atrás em mais de um aspecto ofensivo.

O treinador Aimé Jacquet levou quatro atacantes para aquele Mundial vencido pelas franceses, mas não viu nenhum deles se firmar. Começou com Dugarry, passou por Henry, Trezeguet e entrou em campo na final contra o Brasil com Guivarc’h, que transformou a perda de gols contra Taffarel em quase uma forma de arte. Desperdiçou três bolas que poderiam ter transformado os 3 a 0 num placar ainda mais dilatado.

O título aconteceu graças a Zidane e Emmanuel Petit. Da mesma forma que a vaga na final foi construída com os gols do zagueiro Blanc (nas oitavas contra o Paraguai), as defesas de Barthez (nos pênaltis diante da Itália, nas quartas) e nas finalizações do lateral/zagueiro Thuram (na semifinal).

A França está na decisão de 2018 porque Umtiti fez o gol da classificação na semifinal, contra a Bélgica e Varane abriu o caminho nas quartas diante dos uruguaios.

“É um pouco cansativo. Eu estou entediado com isso. Faço meu trabalho em campo. Quando sinto que fiz meu papel para o time e fui importante, estou satisfeito”, afirma Giroud.

 

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