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Andreense afirma que foi impedida de amamentar em terminal de ônibus; empresa nega

Mulher afirma que foi impedida de amamentar em terminal de ônibus em Santo André
Recomendação da OMS é que leite materno seja único alimento até seis meses de idade. Foto: Divulgação

A dona de casa Thais Santiago Paulino de Magalhães afirmou que foi impedida de amamentar seu filho de apenas um mês, na manhã de ontem (10), dentro do terminal de ônibus da Vila Luzita, em Santo André. A jovem, de 21 anos, aguardava pelo coletivo da linha 127-Cidade São Jorge, quando saiu da fila e se sentou para amamentar seu bebê. “Após alguns minutos fui abordada por três motoristas que disseram que eu não poderia amamentar naquele local”, relatou.

Segundo Thais, não foi possível argumentar com os funcionários,os quais vestiam jaquetas da empresa Suzantur. “Disseram que era atentado violento ao pudor e que se eu continuasse chamariam a polícia”, completou. A dona de casa afirmou que pediu para amamentar o bebê no banheiro, mas que foi advertida que se fizesse isso teria de pagar outra passagem para regressar. “Por fim, perguntaram que ônibus iria pegar, logo encostou um coletivo e eles me conduziram até o veículo”, relembrou. “Nunca tinha passado por isso e nem sabia o que fazer. Depois minha irmã disse que na verdade posso amamentar onde quiser”, destacou. Um dos motoristas foi identificado como Rogério.

A prefeitura informou, por meio de nota, que a SAtrans (autarquia que gerencia o transporte municipal) já cobrou um posicionamento da empresa concessionária sobre o ocorrido no Terminal da Vila Luzita e destacou que promove ações de incentivo ao aleitamento materno por meio do Hospital da Mulher Maria José dos Santos Stein.

A Suzantur informou, também por meio de nota, que o terminal possui sistema de monitoramento interno cujas imagens foram verificadas e que nada foi constatado no horário citado na reclamação. “Os colaboradores de todas as áreas envolvidas foram convocados para prestarem esclarecimentos, porém nenhum deles relatou quaisquer fatos anormais e que no período da manhã não trabalha nenhum funcionário com o nome citado”. As câmeras dos veículos da linha citada também serão averiguadas.

A lei estadual 414/2015 prevê multa para qualquer estabelecimento que constranger mulheres que queiram amamentar seus filhos, ainda que disponham de lugar segregado para o aleitamento. O valor é de 24 Unidades Fiscais do Estado de São Paulo (UFESP), sendo duplicadas em caso de reincidência. O coordenador da Comissão de Infância de Juventude do Conselho Estadual dos Direitos Humanos, Ariel de Castro Alves, orientou que as denúncias sobre o não cumprimento da lei podem ser feitas no Disque 100 ou ao Conselho Tutelar. “É uma violação do direito da mãe de amamentar e da criança, de ser amamentada. A atitude dos agentes, se confirmada, pode configurar o crime de abuso de autoridade”, explicou. “A administração também é responsável, por ter agentes despreparados exercendo funções públicas”, completou.

Mães organizam protesto no terminal de ônibus

O relato de Thais Santiago  foi amplamente compartilhado pelas redes sociais durante todo o dia de ontem. Revoltadas, grupo de mães organizou  mamaço para ser realizado no terminal, na quinta-feira (10), às 10 horas.

A doula (profissional que acompanha gestantes durante gravidez e parto) Cristiane Vani, que também mora em Santo André, é uma das organizadoras. “Sou consultora de amamentação e também mãe de um bebê de quase cinco meses. Sempre o amamento em público e me sensibilizei com a situação me colocando no lugar dela”, relatou.

“Criamos o evento para viabilizar, proteger e apoiar a prática do aleitamento materno em público, para suprir a necessidade vital de um bebê: a fome. O Brasil é o país onde as mulheres mais são criticadas por amamentar em público no mundo. Nossos seios são vistos pela sociedade apenas com função sexual e não para a amamentação. E é parte de uma cultura machista e isto tem que mudar já”, completou.

A consultora internacional em Amamentação, membro da Rede Internacional em Defesa do Direito de Amamentar – International Baby Food Action Network (IBFAN/Brasil), Fabiana Cainé, destacou que a recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS) e do Ministério da Saúde é que o bebê seja amamentado de forma exclusiva por 6 meses e continue mamando por 2 anos ou mais. “Para que isso seja possível, amamentar em livre demanda, ou seja, na hora que o bebê solicitar ou a mãe sentir que há necessidade é fundamental. A mulher tem o direito de amamentar e o bebê de ser amamentado. Quando quiser e onde quiser”, frisou.

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