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Crise na Argentina e greve de caminhoneiros levam Anfavea a cortar projeções para o setor automotivo

Crise na Argentina e greve de caminhoneiros levam Anfavea a cortar projeções para o setor automotivo
Montadoras tiveram de suspender as atividades em maio devido à greve dos caminhoneiros. Foto: Divulgação/GM

A queda recente nas vendas de veículos à Argentina e ao México, combinada ao “soluço” que a greve dos ca­mi­nhoneiros provocou na pro­dução em maio, levaram a Associação Nacional dos Fa­bricantes de Veículos Automotores (Anfavea) a revisar para baixo suas projeções para o se­tor no fechamento de 2018.

A entidade, que representa as montadoras, reduziu ontem (6) a expectativa para a produção em 2018 de cres­cimento de 13,2% para alta de 11,9%. Da mesma forma, a projeção para as expor­ta­­ções caiu de alta de 4,5% pa­ra estabilidade. Vale lembrar que, no ano passado, o setor ba­teu recorde de embar­ques, como 766 mil unidades.

Em junho, foram produzidos 256,3 mil carros, comerciais leves, caminhões e ônibus, ex­pansão de 20,7% frente aos 212,3 mil de maio, quando as montadoras foram levadas a suspender tempora­riamente as atividades de­vido à para­lisação dos caminhoneiros. Ante o mesmo mês do ano passado, houve alta de 21,1%.

No acumulado do primeiro semestre, deixaram as linhas de montagem 1,43 milhão de unidades, elevação de 13,6% ante o resultado do mesmo período do ano passado.

As exportações, por sua vez, cresceram 6,8% entre maio e junho, para 64,9 mil unidades. No acumulado do ano, o aumento é de 0,5%, para 379 mil veículos.

“O ritmo de vendas nos primeiros quatro meses de 2018 estava um pouco acima de nossa expectativa inicial, mas a greve dos caminhoneiros trouxe impactos negativos. Nas exportações, a situação econômica de Argentina e México, nossos principais parceiros comerciais, foi a razão da alteração da previsão”, explicou o presidente da Anfavea, Antonio Megale.

A Argentina elevou os ju­ros para 40% ao ano no começo de maio em meio à forte desvalorização do peso, o que levou o país a pedir ajuda do Fundo Mo­netário Internacional (FMI). No México, o problema é a disputa comercial com os Estados Unidos.

LICENCIAMENTOS

Ainda segundo a Anfavea, o licenciamento de veículos manteve-se praticamente estável na passagem de maio para junho, somando 202 mil unidades, mas cresceu 3,6% frente ao resultado do mesmo mês do ano passado.

No acumulado do primeiro semestre, as vendas atingiram 1,16 milhão de unidades, crescimento de 14,4%.

Segundo Megale, dois fatores impactaram o licenciamento de veículos em junho. “O primeiro é um abalo da confiança, em razão das pa­ralisações do final de maio. O segundo é que a Copa do Mundo muda um pouco o foco das pessoas e as visitas às concessionárias diminu­em, especialmente em dias de jogos do Brasil. Mesmo assim, é importante lembrar que, mais uma vez, cresce­mos contra o mesmo mês do ano anterior, que não teve jo­gos da Copa”, argumentou.

As previsões para o licenciamento de veículos não foram alteradas e permanecem em alta de 11,7%, o que significa encerrar o ano com 2,50 milhões de unidades comercializadas no país.

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