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Lojistas temem efeitos da Copa e do feriadão

 

Lojistas temem efeitos da Copa e do feriadão
Supermercados vêm registrando altas nas horas que antecedem os jogos do Brasil no período da tarde. Foto: Arquivo

A soma do quinto dia útil (data clássica de pagamento), feriado prolongado em São Paulo e jogo da Copa no período da tarde, hoje  (6), está fazendo muita gente sorrir de orelha a orelha.

E, se o Brasil vencer, a festa será ainda maior: o próximo jogo será na terça-feira (10), às 15h. Restando apenas uma segunda-feira de trabalho no resto do país e ressaca.

Donos de supermercado e restaurantes têm um motivo a mais para comemorar.

De acordo com a FecomercioSP, os supermercados vêm registrando altas nas horas que antecedem os jogos do Brasil no período da tarde.

Segundo a Cielo, no jogo de segunda-feira (2) os supermercados tiveram alta de 8,5% no número de vendas na comparação com uma segunda- feira comum.

O número de pagamentos efetuados nas maquininhas de cartão subiu ainda mais nos bares: o movimento foi 42% maior ao de uma manhã normal de segunda, segundo a Cielo.

De acordo com Percival Maricato, presidente da AbraselSP (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes de São Paulo), os bares que não se adequaram para os jogos da Copa perderam até 50% da clientela, enquanto os estão recebendo os torcedores têm uma expectativa de aumentar em até 25% o faturamento entre junho e julho.

No entanto, nem todo mundo anda pulando de alegria sempre que Neymar e Philippe Coutinho entram em campo. Durante os jogos do Brasil, as vendas de maneira geral chegam a cair mais de 24%.

Nesses dias, além de as empresas abrirem ou fecharem mais cedo, as pessoas não saem para fazer compras. “Tendo em vista a experiência de outras Copas, sabemos que em jogos no meio do dia, o movimento começa a cair duras horas antes do jogo e, na hora da partida, tende a zero. Somente duas horas depois, os consumidores começam a voltar, mas ainda é menor do que em dias normais”, diz Marcel Solimeo, da ACSP (Associação Comercial de São Paulo).

Os donos de lojas de roupas e calçados estão de cabelo em pé mesmo quando o Brasil vence. O setor de vestuário é o que mais perde. Vende 31% a menos do que nos dias comuns.

A queda é igual à do setor de móveis e eletrodomésticos, porém, este ainda pode ter mais esperanças. “Quem precisa comprar uma geladeira pode até adiar uma semana, mas não vai deixar de comprar por causa do jogo”, explica Guilherme Dietze, assessor econômico da FecomercioSP.

O problema está na queda das compras por impulso. Alguém que não passou em frente a uma loja de roupas (e poderia ter comprado uma blusinha) não vai voltar no dia seguinte, porque a peça de roupa não está fazendo falta.

O economista ressalta que, para os varejistas, o problema não é a Copa em si, mas o que veio antes dela.

A paralisação dos caminhoneiros prejudicou os estoques e tirou o consumidor das lojas.

Além do frio que não chegou e está fazendo as coleções de outono/inverno encalharem nas prateleiras, muitas lojas já estão apostando em liquidações fora de época.

A esperança era reverter a queda em junho e julho, mas aí veio a Copa.

“Assim como o feriado, os varejistas tinham claro que o Brasil poderia se classificar para as oitavas e quartas de final. Eles sabem que o dias de jogos são mais fracos e adequam seus estoques para isso. O que pegou de surpresa foi a falta de frio e os caminhões. Sobraram os dias fracos para recuperar meses que já vinham fracos”, diz Dietze.

Para Solimeo, da ACSP, as vendas gerais de julho não devem ter queda, por causa da alta nos bares e supermercados, mas deve fechar num montante próximo ao de 2017.

“Vínhamos registrando [em 2018] um crescimento mensal de até 5%, mas em julho esse valor deve cair para 1% ou 2%”, afirma. Em junho, a alta foi de 2,2%, segundo levantamento da associação.

Solimeo também afirma que, os consumidores estão adiando a compra de celulares e carros, itens que impulsionaram a subida dos índices de crescimento em 2018.

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