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MPE denuncia Auricchio por organização criminosa e caixa 2

MP Eleitoral denuncia caixa 2 em campanha de Aurichio
Denúncia pede pena de 30 anos para Vidoski e Auricchio. Foto: Arquivo

O Ministério Público Elei­toral (MPE) denunciou ontem (12) ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-SP) o prefeito de São Caetano, José Auricchio Junior (PSDB), e o vice-prefeito Beto Vidoski (PSDB) e outras sete pessoas por suspeita de organização criminosa e prática de caixa 2 durante a campanha municipal de 2016.

Segundo a denúncia, dos R$ 2.428.304,35 que ingressaram no diretório municipal do PSDB e foram declarados à Justiça Eleitoral, R$ 1.332.998, ou 54% do total, teriam sido alvo de lavagem de dinheiro. Prefeito nega as acusações.

O suposto esquema, que teria como operadores políticos Auricchio e Vidoski, abasteceu a campanha com doações de pessoas físicas (durante a primeira eleição em que as de empresas foram proibidas) de recursos que tinham como origem a empresa contratada pelo diretório para cuidar da contabilidade da campanha, a Globo Contábil Ltda, de propriedade de Eduardo Abrantes. A mesma empresa já havia prestado serviço para Auricchio em 2008.

Também naquele ano, quando disputou a reeleição ao Executivo de São Caetano, ainda pelo PTB, Auricchio recebeu doação de R$ 300 mil de uma empresa cujo proprietário é o pai de Eduardo Abrantes, Julio Amadeu Correio Abrantes. Esse fato, segundo a denúncia, mostra a relação próxima entre o prefeito e a família Abrantes. A funcionária da empresa Globo, Rita de Cassia Silva, e sua mãe, Ana Maria Comparini, aparecem como doadoras de somas vultosas (R$ 293 mil teriam sido doados por Ana Maria) e incompatíveis com seus rendimentos.

“Toda estrutura levada a efeito pelo núcleo operacional comandada por Eduardo Abrantes tinha como principal objetivo beneficiar o núcleo político da organização, composta pelo prefeito José Auricchio Junior e pelo vice, Roberto Luiz Vidoski”, cita a denúncia. O MPE pede penas superiores a 30 anos de prisão, perda dos cargos públicos e inelegibilidade dos acusados, além de multas no valor de R$ 6 milhões.

O promotor de Justiça eleitoral da Junta Eleitoral de São Caetano, Newton José de Oliveira Dantas, conduz processo que pode culminar na perda de mandato do prefeito e do vice. “Estamos na fase de oitivas de testemunhas. Vamos ouvir os doadores para fazer o pedido (de cassação) se for necessário”, explicou.

Em 14 anos de atuação no município, o promotor declarou que nunca havia lidado com um caso tão grave.

Outro lado

Em nota, os advogados de defesa de Auricchio, Ricardo Penteado e Beto Vasconcelos negaram as irregularidades.

“Com relação à notícia de apresentação de denúncia pela Procuradoria Regional Eleitoral de São Paulo em face do prefeito José Auricchio Júnior, deve-se esclarecer que se trata de opinião do Ministério Público Federal, ainda pendente de apreciação pelo Tribunal Regional Eleitoral. O prefeito está à disposição da Justiça Eleitoral para prestar todos os esclarecimentos necessários. Tem certeza da correção de sua conduta, confia na Justiça e acredita que os fatos serão elucidados”, informou a nota.

A reportagem do Diário Regional não conseguiu contatar Beto Vidoski, nem as outras pessoas citadas na ação, ligadas à empresa Globo Contábil LTDA, que prestou serviço de contabilidade para a campanha de Auricchio em 2016.

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