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Inflação oficial dobra em maio sob impacto da greve dos caminhoneiros

Inflação oficial dobra em maio sob impacto da greve dos caminhoneiros
A batata ficou 17,51% mais cara no mês passado. Foto: Arquivo

Pressionada pelos preços da gasolina e da energia, a inflação fechou maio em 0,40%, quase o dobro do 0,22% de abril. A alta foi influenciada ain­da pelo aumento nos preços dos alimentos durante a paralisação dos caminhoneiros.

Para economistas, o choque inflacionário deve se aprofun­dar este mês, mas é tempo­rário. Um dos atenuantes é a desaceleração da inflação de serviços, que responde à perda de poder aquisitivo da população.

“O desemprego segue em níveis altos, e as famílias ainda têm certo receio de consumir”, disse o economista do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) Fernando Gonçalves, em entre­vista para divulgar o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

No acumulado do ano, o IPCA soma 1,33%, menor taxa desde o início do Plano Real.

Em 12 meses, o índice está em 2,86%, ainda abaixo da meta oficial, que é de 4,5% com tolerância de 1,5 ponto porcentual para cima ou para baixo.

Gasolina e energia foram responsáveis por 67% da inflação de maio. Com os reajustes promovidos pela Petrobras, a gasolina subiu 3,34% no mês.

O preço da energia foi pressionado pela adoção da bandeira amarela na conta de luz e subiu 3,53%. Com a mudança para bandeira vermelha nível 2 em junho, o item continuará pressionando os preços.

“Para junho, esperamos aceleração, mais impulsionada por alta generalizada nos alimentos”, disse Breno Martins, economista da Mongeral Aegon Investimentos, que espera índice próximo de 1%.

A previsão considera os aumentos de preços dos alimentos durante os últimos dias da paralisação dos caminhoneiros. Em maio, segundo o IBGE, já houve impacto da paralisação nos transportes.

O grupo Alimentos e Bebidas teve inflação de 0,31% no mês, ante queda de 0,35% em maio de 2017. O preço da batata, por exemplo, subiu 17,51%. Hortaliças tiveram alta de 4,15% e o leite, de 2,65%.

A alta da gasolina – além dos reajustes da Petrobras, que somaram 8% no mês – também pode refletir efeitos da paralisação, disse Gonçalves.

O custo dos serviços registrou deflação de 0,09%, a maior desde o início da série, em 2012. A última vez que o setor teve deflação foi em julho de 2014 (0,06%).

A queda dos preços foi puxada pelas passagens aéreas (-14,7%). Martins disse que, excluindo passagens e outros serviços de turismo e educação, a inflação do setor ainda é positiva, mas tem desacelerado nos últimos meses, como reflexo da recessão.

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