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Integrante da frente de trabalho denuncia assédio em Diadema

Integrante da frente de trabalho denuncia assédio em Diadema
Jessica usou a tribuna da Câmara para relatar a agressão sofrida. Foto: Divulgação

A integrante da frente de trabalho em Diadema, Jessica Gonçalves Amaral, usou a tribuna da Câmara, ontem (17), para relatar que sofreu assédio sexual em 22 de maio de 2017. Segundo Jessica, o agressor é o funcionário comissionado da Secretaria de Segurança Alimentar Cícero Monteiro Cavalcante. Jessica o acusou de passar a mão em seu corpo durante uma reunião do Centro de Referência de Segurança Alimentar e Nutricional (Cresand), ligado à pasta. A trabalhadora registrou no último dia 5 boletim de ocorrência na Delegacia de Defesa da Mulher de Diadema.

“Estava servindo o café quando ele chegou e começou a conversar comigo. Fomos conversando, ele colocou a mão no meu ombro e desceu até a minha bunda (sic). Eu o empurrei e perguntei se estava louco, aí ele disse ‘melhor voltar para a reunião’”, declarou. Segundo a funcionária, a situação foi passada para o seu superior, que na outra semana procurou o responsável da pasta, Atevaldo Leitão (PSDB). “O secretário riu da minha cara, mas disse que ia tomar uma providência. No fim, fui transferida para a Secretaria de Obras. Não fiz a denúncia antes porque tive medo de perder o meu emprego e porque estava sendo ameaçada pelo Cícero”, completou. Jessica afirmou que passou a ser perseguida no ambiente de trabalho.

Devido à denúncia, uma reunião de emergência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara foi convocada. Leitão compareceu ao encontro e negou que tenha rido da funcionária e afirmou que ela ficou de mostrar conversas que teria tido com Cavalcante, mas alegou que o celular estava descarregado. “Ela não voltou a me procurar. Um tempo depois vi algumas coisas nas redes sociais, mas não sou perito para identificar se era real ou falso”, justificou. Leitão alegou que não tomou outra providência porque não foi procurado e até o momento não havia provas. O secretário negou que tenha havido perseguição contra Jessica e disse que a funcionária foi para Obras porque o contrato de um ano na Secretaria de Segurança Alimentar havia expirado.

Afastamento

Durante a reunião, a maioria dos vereadores sugeriu que o funcionário fosse afastado para que seja feita uma investigação administrativa. O assessor especial do prefeito Lauro Michels (PV), José Dourado (PSDB), e Leitão, se comprometeram a levar o assunto para a administração municipal, a fim de que seja decidido o destino do funcionário. Cavalcante, que foi candidato a vereador em 2016 pelo PSDB, primeiro disse que precisava consultar seu advogado, depois alegou que está sendo vítima de uma calúnia, arquitetada pelo vereador Sérgio Ramos, o Companheiro Sérgio (PPS).

“Companheiro Sergio é amigo íntimo dessa pessoa, me ameaçou de morte e ainda subornou essa pessoa para inventar essa calúnia contra mim. Estou aguardando ser chamando oficialmente para apresentar a minha defesa. Não tenho medo da verdade e estou disposto a provar a minha inocência. Estou à disposição da Justiça e de quem for necessário”, declarou. O vereador negou as acusações. “Em momento nenhum fiz ameaça. Fui procurado por essa moça, eu e outros vereadores, nos contou o que estava acontecendo. Houve o assédio. Ele é uma pessoa que está desequilibrada”, afirmou Companheiro Sérgio.

Cavalcante e Companheiro Sergio eram presidente e vice-presidente de uma associação de bairro na Vila Nova Conquista e estão no meio de uma disputa política. A Comissão de Direitos Humanos da Câmara vai acompanhar o desenrolar do caso até que a apuração administrativa e a investigação criminal sejam concluídas. Jessica mostrou capturas de telas com conversas com Cavalcante poucos dias antes da data em que ela alega ter sofrido o assédio. Na conversa, o comissionado pergunta se alguma coisa nele chamou a atenção da moça e diz que nela o que chamou a sua atenção foi a bunda (sic).

A Prefeitura de Diadema informou que até o presente momento não tinha conhecimento formal sobre o caso. A partir de agora vai apurar os fatos, para adotar as medidas necessárias. “A administração repudia e não pactua com qualquer comportamento que fira a ética, coibindo rigorosamente qualquer desvio de conduta de seus funcionários”, informou em nota.

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