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Sem acordo, greve de trabalhadores da Mercedes-Benz entra no terceiro dia

Sem acordo, greve de trabalhadores  da Mercedes-Benz entra no terceiro dia
Aroaldo: “Precisamos ter a incorporação ao salário e rediscutir a fórmula de cálculo da PLR”. Foto: Edu Guimarães/SMABC

A greve dos 8 mil trabalhadores da fábrica da Mercedes-Benz em São Bernardo entra hoje (16) no terceiro dia sem acordo entre a montadora e o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, que representa a categoria. Nova assembleia está mar­cada para as 7h30 de hoje, na portaria principal, a fim de informar os funcionários sobre o andamento das negociações relativas ao acordo coletivo e à campanha salarial.

O sindicato alega que não houve avanço em relação ao valor da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) e à reposição salarial. A entidade explicou que a Mercedes-Benz pretende transformar o reajuste em abono, sem incorporação ao salário. Além disso, há divergência no cálculo da PLR.

A categoria reivindica que o cálculo da PLR leve em conta a exportação de itens agregados (motor, câmbio e eixos).

Ontem, a companhia teria distribuído boletim aos funcionários no qual lamenta a paralisação e informa que descontará os dias parados.

Segundo o sindicato, a empresa pretende demitir 340 trabalhadores da área administrativa. “Precisamos ter a incorporação ao salário, rediscutir a fórmula do cálculo de PLR e achar alternativa para o corte de custos que a empresa propõe, com a redução de horistas indiretos e men­salistas”, disse o secretá­rio-geral do sin­dicato, Aro­al­do Oliveira da Silva, ao Tribuna Metalúrgica.

Também há divergências em relação às cláusulas sociais do acordo coletivo. A montadora quer retomar meta de absenteísmo (faltas ou atrasos), além de excluir a estabilidade ao trabalhador acidentado e a complementação por até 120 dias do afastamento para que o auxílio-doença recebido pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) chegue ao mesmo valor do salário.

Os metalúrgicos defendem a manutenção de todas as cláusulas do acordo coletivo e a inclusão de salvaguarda contra a Reforma Trabalhista. O objetivo é garantir que qualquer alteração prevista na nova legislação só possa ser implementada após negociação com a entidade.

Retomada

A greve ocorre no momento em que a montadora começa a se recuperar da crise econômica. De janeiro a abril, a Mercedes-Benz licenciou 5.770 caminhões e 2.217 ônibus no país, totalizando 7.987 veículos. O volume é 56,1% superior as 5.117 unidades emplacadas no mesmo período do ano passado.

No final de março, após a inauguração de nova linha de montagem na unidade, o presidente da Mercedes-Benz do Brasil, Philipp Schiemmer, informou que há possibilidade de reabertura do segundo turno de produção em São Bernardo até o final deste ano.

A planta do ABC tem capacidade de produzir 80 mil unidades por ano, mas atualmente opera em um único turno com expediente em dois sábados por mês, o que reduz a capacidade à metade.

Desde o início do ano, a fábrica de São Bernardo contratou 520 trabalhadores.

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