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Preso, Atila Jacomussi pede afastamento por 15 dias;pedido de impeachment foi rejeitado

Preso, Atila Jacomussi pede afastamento por 15 dias
Alaíde Damo e Admir Jacomussi; primeiro ato da prefeita foi exonerar o secretário João Gaspar. Foto: Divulgação/PMM

O prefeito de Mauá, Atila Jacomussi (PSB), pediu afastamento do cargo por até 15 dias. O socialista está preso desde o dia 10 de maio, acusado de lavagem de dinheiro, após a Polícia Federal apreender R$ 85 mil sem origem justificada em sua residência. A vice-prefeita Alaíde Damo (MDB) foi empossada na tarde de ontem (15). Esposa do ex-prefeito da cidade Leonel Damo (MDB), Alaíde entrou na chapa de Atila no lugar do ex-genro José Orosco Junior (então no MDB, atualmente no PDT), que não poderia disputar a eleição por estar enquadrado na lei da ficha limpa.

O superintendente da Saneamento Básico de Mauá (Sama) Israel Aleixo, que tem assumido o papel de homem forte do governo, destacou que o “afastamento voluntário” do prefeito não é uma confissão de culpa. “Desde o inicio da operação, Atila vem atuando de forma a contribuir com a Justiça e, no caso de hoje (ontem), o afastamento é legal. O prefeito está preocupado com a cidade e achou por bem se afastar do cargo para que possa se dedicar à sua defesa”, completou.

Em sua primeira ação como prefeita, Alaíde assinou a exoneração do secretário de Governo e Transportes, João Gaspar (PCdoB), que também está preso na PF, acusado, como Atila, de lavagem de dinheiro. O agora ex-secretário (a publicação oficial deve ser feita hoje, 16) tinha em sua casa R$ R$ 588 mil e € 2.985, sem origem justificada. A prefeitura tem evitado dar informações sobre a situação de Gaspar, a fim de separar sua imagem da do prefeito.

A prisão de ambos ocorreu no âmbito da Operação Prato Feito, deflagrada no dia 09 de maio e que tinha como objetivo desbaratar suposto esquema de desvio de recursos de merenda escolar, transporte escolar e material didático em 30 cidades paulistas. De acordo com o relatório da PF, João Gaspar teria recebido, em 2016, R$ 138 mil do empresário Carlos Zeli Carvalho, o Carlinhos, que teriam como destino a campanha a prefeito de Atila, então deputado estadual.
Mandato

Apesar de ser a vice-prefeita, Alaíde pouco frequentou a prefeitura neste mandato. A agora prefeita da cidade não falou com a imprensa, mas seu marido, o ex-prefeito Leonel Damo, confirmou que até o início da tarde de ontem ela não havia sido informada que assumiria a prefeitura. Alaíde atuou na assistência social do município durante os dois mandatos do marido. A expectativa do governo é que o afastamento de Atila não dure os 15 dias. Está marcado para hoje julgamento do pedido de habeas corpus impetrado pela defesa.

Pedido de impeachment

A Câmara de Mauá rejeitou, por 20 votos a um – o vereador Ricardo Manoel de Almeida, o Ricardinho da Enfermagem (PTB), não estava no momento da votação, e o presidente não vota nesses casos -, o pedido de impeachment de Atila Jacomussi  protocolado pelo diretório municipal do PT na última segunda-feira (14). Apenas o vereador Marcelo de Oliveira (PT) votou favoravelmente à abertura de processo. Francisco Esmeraldo Carneiro, o Chiquinho do Zaíra (Avante), votou contra o pedido, mas justificou que seu voto se dá por entender que ainda é precipitada a situação, reiterando que é oposição a esse governo.

A plateia da Câmara estava totalmente lotada e a maioria dos presentes eram funcionários comissionados. Uma verdadeira “fila indiana” podia ser vista antes da sessão, com os servidores saindo do prédio da Prefeitura de Mauá para o do Legislativo, que fica ao lado e a poucos metros da sede da administração municipal. Quando o presidente da Câmara, Admir Jacomussi (PRP), que também é pai do prefeito, entrou no plenário, parte das pessoas o aplaudiu e gritou seu nome com entusiasmo. A votação virou um grande ato de apoio ao governo.

Confronto
Durante a votação, a cada vereador que votava “não” à abertura de processo a plateia reagia com aplausos e gritos e ao final, gritaram “Fora PT”. Após a votação, grupos contrários e favoráveis ao governo chegaram perto de um confronto, que foi evitado pela presença da Guarda Civil Municipal (GCM). Manifestantes identificados com adesivos do PSOL chegaram a interromper o tráfego de veículos na avenida em frente à Câmara.

O superintendente da Saneamento Básico de Mauá (Sama) Israel Aleixo, que tem assumido o papel de homem forte do governo na ausência do prefeito e do secretário de Governo e Transportes, João Gaspar (PCdoB) – preso desde a última quarta-feira (10) após apreensão de R$ 588 mil e € 2.985 em sua residência, sem origem justificada – declarou que a recusa do pedido de impeachment na Câmara comprova que “não existe nenhum ordenamento jurídico para a denúncia”.

“Essa denúncia não tem nenhum tipo de fundamento. Está sendo totalmente oportunista, formulada pelo PT, que sequer esperou a apuração dos fatos. Sequer verificou se existe qualquer culpabilidade do prefeito e como já está sendo demonstrado não existe nenhum indicio, nenhum fato, nada no processo de investigação que incrimine o prefeito, o resultado não poderia ser outro que não a rejeição”, completou.

O ex-vice-prefeito de Mauá Paulo Eugênio (PT), que assinou como advogado do pedido de impeachment, declarou que considera a sessão nula, uma vez que o documento também pedia a suspeição do presidente da Câmara na condução do processo, Admir Jacomussi, por ser pai do prefeito. “No nosso entendimento, o Admir não deveria participar de nada. Vamos recorrer na Justiça”, afirmou. “Infelizmente os vereadores ainda acreditam que é possível o prefeito governar da cadeia”, completou.

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