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Em evento sem chefes do Congresso, Temer exalta seus 2 anos de presidência

Em evento sem chefes do Congresso, Temer exalta seus 2 anos de presidência
Temer elogiou a melhora econômica e exaltou programas sociais. Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

A comemoração pelos dois anos do governo Michel Temer nesta terça (15) enviou duas mensagens ao meio político: o presidente será ele próprio o porta-estandarte da defesa de seu legado e, apesar de propagandear boas relações com o Congresso, o distanciamento das principais lideranças políticas do Planalto é patente.

Em comparação à cerimônia realizada há um ano, diminuiu a presença de parlamentares da base aliada e a parceria entre Executivo e Legislativo não teve grande destaque no discurso do presidente. O desgaste foi notado ainda pelas ausências dos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE).

Apesar de ter uma lista extensa de projetos que precisam ser aprovados, como a privatização da Eletrobras e a reoneração da folha de pagamentos, o governo não tem conseguido fazer essas pautas avançarem. O principal motivo apontado pela base aliada, que resiste em comparecer às votações, é a alta rejeição do presidente, de 70% segundo Datafolha.

Nas últimas semanas, partidos governistas como DEM, PP, PR e PSD têm tentado se desvincular do Planalto para evitar desgaste eleitoral.
No evento, Temer foi o único a falar. Durante uma hora, repetiu declarações que vem fazendo nos últimos meses: elogiou a melhora de indicadores econômicos, exaltou programas sociais e defendeu a aproximação entre os Poderes.

Os nomes de Eunício e de Maia não foram lembrados pelo emedebista, ao contrário de agradecimentos feitos no ano anterior. “Eu quero deixar uma mensagem institucional à nação. Todos sabem que eu trabalhei para a pacificação de todas as correntes do país”, disse Temer.

O ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles, um dos pré-candidatos do MDB à Presidência, também não teve papel de destaque no evento. Ele sentou-se longe do presidente e foi citado brevemente, apenas no início do discurso.

“Começamos esta mudança de rumo estabelecendo uma regra muito simples: ninguém pode gastar mais do que aquilo que arrecada. Isso é elementar, ministro Henrique Meirelles. Você que tanto ajudou a transformar o nosso país.”

Em menção rápida ao clima de acirramento político, Temer encerrou seu discurso dizendo que tem como objetivo promover a pacificação na política. “Espero que logo depois das eleições as pessoas possam pensar nos problemas do país e não em quem ganhou ou perdeu eleição.”

A estrutura usada para o ato deste ano foi mais singela: em vez de arranjos de flores espalhados por todo o salão nobre do Planalto, optou-se por uma mesa coberta por uma toalha branca, sem ornamentos.
Inicialmente, o Palácio do Planalto havia adotado o slogan “O Brasil voltou, 20 anos em 2” para o evento.

Uma polêmica, devido à dupla interpretação da frase em caso de omissão da vírgula, fez com que o texto fosse reduzido para apenas “Maio/2016 “” Maio/2018: O Brasil Voltou”.

Uma cartilha com os principais atos do governo foi distribuída no local. O material apresentou parcialmente dados oficiais, mas ignorou os escândalos de corrupção que envolvem Temer e o governo, tema que ficou de fora do discurso presidencial também.

O documento não cita que o desemprego cresceu no período e que houve uma desaceleração na criação de postos de trabalho com carteira assinada em março, na comparação a janeiro e fevereiro.

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