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Mamãe também namora!

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A nutricionista Carla é mãe de
Valentim e Joaquim. Foto: Arquivo pessoal

O Dia das Mães é aquela data em que os filhos homenageiam suas cuidadoras, aquela pessoa que os amou e nutriu sem pedir nada em troca. O que muita gente esquece é que mãe também é mulher, e embora o número de divórcios tenha se mantido estável no último ano (segundo o Cartório Notarial do Brasil, foram 1.322 casos no ABC em 2017, contra 1.318 em 2016), quando isso ocorre, a mãe volta a ser a mulher que era antes dos filhos e nem sempre conciliar essa (re) descoberta com a maternidade é simples.

A nutricionista Carla Caratin, de 41 anos e moradora de Santo André, está separada há um ano e sete meses, após oito anos de casamento. Mães dos pequenos Valentim, de 7 anos, e Joaquim, de 4, Carla contou que nunca imaginou que o relacionamento chegaria ao fim. “Minha separação foi rápida, intensa e dolorosa. A minha vida passou por uma grande mudança – reorganização de finanças, de rotina e, principalmente, redescoberta de quem eu era após oito anos casada e com dois filhos pequenos”, relembrou.

Seus vários conceitos de como deveria ser a vida pós-divórcio, inclusive teorias falidas de como proceder em relação a novos relacionamentos e filhos, aos poucos foram se mostrando totalmente equivocados. “A única regra que, hoje, acredito que exista é ser verdadeiro com você, com o novo parceiro e com as crianças”, pontuou.

Seis meses após a separação, Carla conheceu um rapaz com quem saiu por um ano. “Era uma relação com muito carinho e respeito. Porém, não tinha espaço na minha vida para ele, bem como na dele para mim. Nos encontrávamos quando nossas agendas batiam e só. Esse relacionamento foi importante no meu processo de redescoberta e me mostrou que eu, claramente, não estava pronta para ter uma nova pessoa na minha vida. Havia uma barreira que ‘protegia’ meus filhos, que hoje, entendo que me protegia também”, considerou.

Carla avalia que hoje, para alguém fazer parte da sua vida, terá de entender que ela é mãe de dois meninos e que é preciso querer o “pacote completo”. “Não tem como separar quem eu sou da minha maternagem. Não quero um pai para os meus filhos – isso eles têm e é um pai extremamente presente. Existe um novo papel para ser construído, juntos. O que também me tranquiliza em relação ao papel de uma nova namorada do pai. Temos tentado construir uma relação muito próxima e de respeito. Porém, sabemos que novas ‘personagens’ poderão ser incluídas nesse novo formato da família”, concluiu.

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Mariana e Marcelly com Bernardo: de amigas a namoradas. Foto: Arquivo Pessoal

Duas mães

Um novo formato de família também está vivendo a gerente administrativa Mariana Alves da Silva, de 26 anos, moradora de São Vicente. Mãe do pequeno Bernardo, de 2 anos, Mariana se separou em junho do ano passado, após quase dez anos de relacionamento, sendo os últimos três anos e nove meses de casamento. Um mês após a separação, começou a namorar a estudante Marcelly Souza, de 21 anos, que já era sua amiga há quatro anos.

“O Bê e a Marcelly já era bastante ligados, por conta da nossa amizade”, afirmou. Segundo Mariana, o filho e a namorada têm uma ótima relação. “Quando ela está comigo, me ajuda bastante, levanta de madrugada para dar a mamadeira dele, cuida quando tem febre, é muito participativa na vida dele”, declarou.

Os momentos apenas delas acontecem quando Bernardo está com o pai, aos finais de semana, a cada 15 dias. “Quando estamos os três, são programas que ele possa participar, praia, parquinhos”, pontuou. Mariana relatou que ocasionalmente existem conflitos com a namorada, relativos à criação do bebê. “Ela sabe que existem situações nas quais não pode interferir”, explicou.

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Thais e Matheus, com Angela e Heitor: “Todos temos o direito à felicidade”. Foto: Arquivo pessoal.

Conflito pré-adolescente

Se com um bebê é fácil organizar as atividades, com crianças maiores o desafio é diferente. É essa a realidade da jornalista e blogueira (do site www.brincaremsantos.com.br) Thais Santos, de 33 anos, moradora de Santos. Após dez anos de casamento, Thais se separou em janeiro de 2017. Mãe de Angela, de 10 anos, e Heitor, 5 anos, Thais começou a namorar em julho do ano passado com o músico Matheus Ferrão, 34. A jornalista relembra que a filha mais velha percebeu que havia algo entre o casal pela frequência com que encontravam com o rapaz.

“Depois de algumas semanas com o namorando, mas ainda naquela fase meio que de testes para decidir se contaria ou não para as crianças, uma noite que ele dormiu na minha casa ela deu uma surtada e quis saber a verdade”, afirmou. “Contou para o pai também que eu estava com uma pessoa e depois de uma situação bem desagradável sentamos os três (eu, ele e ela) e contamos o que estava acontecendo. Conversamos, pontuamos o papel de cada um na vida dela. No geral, melhorou bastante a relação quando o pai assumiu namoro com outra pessoa”, completou.

Para Thais, o fato de a filha estar na pré-adolescência, com altos e baixos, motivam algumas situações chatas de brigas, de conselhos. Porém, no geral, a relação entre a filha e o namorado é bastante positiva. “Com o mais novo foi paixão a primeira vista, sem problema nenhum”, pontuou. “Nem passou pela minha cabeça não aproximar eles. Meus filhos são extensão de mim e é fundamental a pessoa que estiver comigo gostar, tentar se relacionar e, principalmente, respeitá-los”, declarou.

Os programas só do casal ocorrem quando as crianças estão com o pai. Quando estão todos juntos, Thais prioriza as atividades que possam incluir os filhos. “Costumo fazer programas infantis ou que sejam focados mais neles quando estão comigo, até bares, quando vamos, optamos por locais com espaço kids para que se sintam incluídos no passeio”, afirmou.

Apesar do bom relacionamento entre namorado e filhos, a jornalista avaliou que se sente bastante julgada por conhecidos e parentes. “Parece que mãe não tem vez de se relacionar mais porque tem filhos”, relatou.

“Gostaria de deixar minha mensagem de respeito e profundo entendimento às mães que optam por começar algo novo. Se o cenário contribui, se a pessoa que você está entende a sua maternidade e quer compartilhar isso com você, independentemente do que falem ou achem, siga seu coração e seus princípios. Todos temos o direito à felicidade”, afirmou.

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