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Museu de Ribeirão Pires recupera acervo de Américo Del Corto

Museu de Ribeirão Pires recupera acervo de Américo Del Corto
Material estará disponível para exposição em um ano. Foto: Divulgação PMETRP/Gabriel Mazzo

O  Centro de Apoio Técnico ao Patrimônio (CATP), ligado à Secretaria de Turismo e Desenvolvimento Econômico de Ribeirão Pires, realizou no início de abril a coleta do acervo pessoal do maestro Américo Del Corto, falecido no dia 14 de março deste ano. Entre os objetos coletados pelos técnicos, foram selecionados fotografias, partituras, áudios registrados pelo próprio Américo em CDs e centenas de fitas K-7 originadas ao longo de seu programa “Reminiscências”, na Rádio Pérola da Serra FM, além de anotações e escritos de valor histórico.

Os materiais iconográficos, manuscritos e em áudio serão analisados com mais profundidade, depois catalogados e incorporados ao acervo de Documentação Histórica. Já os objetos tridimensionais serão incorporados ao acervo do Museu Histórico Municipal Família Pires.

“O Maestro Américo Del Corto foi um grande ribeirão-pirense. Apaixonado por nossa terra, expressou todo o seu amor em livros, poemas e canções, especialmente no Hino Municipal, composto em 1974. Esse material, de grande importância para a memória coletiva, ficará preservado de agora em diante. Acreditamos que o seu Américo ficaria muito feliz em ver seu acervo salvaguardado em um lugar seguro e democrático, acessível a todos, como o Museu Municipal”, explicou o diretor de Patrimônio Cultural do município, Marcílio Duarte.

Em 2017, já estavam em posse do departamento a máquina de escrever onde o hino de Ribeirão Pires foi datilografado, um cofre forte da olaria de Pedro Del Corto, pai de Américo, e todas as suas partituras autorais. Com as novas peças, foram adicionados ao acervo objetos muito raros como o caderno de partituras do Maestro Alfredo Della Ricca (professor de Américo e patrono da Escola Municipal de Música), e o uniforme das bandas mirins regidas por Américo Del Corto, que compõem a memória da época das bandas e corporações musicais de Ribeirão Pires, entre muitos outros.

O acervo resgatado está guardado em reserva técnica na sede do Museu Histórico Municipal e será levado à exposição após análise, triagem e catalogação, em um prazo de cerca de um ano.

O CATP – Centro de Apoio Técnico ao Patrimônio desenvolve diversos serviços de preservação da história e do patrimônio da Estância. As ações de preservação fazem parte de um pacote de realizações para promover a identidade e fortalecer o setor turístico do município.

“Desde o início, a atual gestão tem apoiado ações na área do Patrimônio Cultural e nós estamos focados em garantir o direito à memória como uma ação concreta que visa não só difundir os museus municipais, mas também fortalecer o campo do Turismo com o nosso principal projeto, que é o de manter o título de Estância Turística. A gestão dos museus é diretamente ligada a essa estratégia”, afirmou o secretário de Turismo e Desenvolvimento Econômico, César Ferreira.

 

Maestro identificou ainda criança a vocação para música

Américo Del Corto nasceu em Ribeirão Pires, em 23 de setembro de 1921. Filho de Pedro Del Corto e Lucia Zanetti Del Corto, fez seus primeiros estudos no Grupo Escolar de Ribeirão Pires (GERP) e muito jovem começou a trabalhar como oleiro, junto a seu pai e irmãos.

Criança ainda, já sentia grande vocação para a arte musical e muito interesse em leitura. Atuou como músico na Banda Lyra de Ribeirão Pires, onde obteve ensinamentos com o Maestro Alfredo Della Ricca. Depois se tornou professor, compositor e maestro, e fundou a Banda Mirim de Ribeirão Pires, no início dos anos 1970.

É autor do Hino Municipal de Ribeirão Pires e do Hino à Emancipação de Ribeirão Pires, além de assinar a autoria de outras obras, como a “Ribeirão Pires Antiga”, “Exaltação à Biblioteca”, “Hino do ENAU”, “Homenagem à Guarda Mirim” e “Hino da Associação Pró-Memória”.

Dedicado às artes, Américo Del Corto realizou o sonho de muitas crianças pobres, ao abrir um cineminha em Rio Grande da Serra, na Vila Figueiredo, e outro em Ouro Fino. É autor de “Eu e a vida das bandas de música na minha, nossa cidade Ribeirão Pires” (2001), “Pequenos contos reais da minha cidade” (2003), “Reminiscências – a Ribeirão Pires que vi e vivi” (2006), “O Poder de uma saudade – Pequena grande história de amor” (2013), entre outros.

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