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MTST invade tríplex, faz coro pró-Lula e diz ser ‘apartamento de pobre’

MTST invade tríplex, faz coro pró-Lula e diz ser 'apartamento de pobre'
Cerca de 30 militantes do MTST invadiram ontem (16) o edifício Solaris, onde fica o tríplex atribuído ao ex-presidente Lula. Foto: Marcelo Justo/Folhapress

Em uma ação que consumiu menos de cinco minutos, cerca de 30 militantes do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) invadiram, na manhã desta segunda (16), o tríplex em Guarujá atribuído ao ex-presidente Lula e pivô de sua prisão.

O grupo permaneceu no apartamento por 2h40min, deixando o edifício após ameaça de prisão. O MTST é coordenado por Guilherme Boulos, pré-candidato à Presidência pelo PSOL. A ação foi acompanhada pela reportagem.

Defensor da presença de Lula na eleição, Boulos não foi a Guarujá. Pouco mais de cem pessoas, divididas em 20 carros, participaram da ação.

Os manifestantes deixaram São Paulo e São Bernardo às 4h30. Em Guarujá, concentraram-se em uma padaria e em ruas vizinhas à avenida onde fica o tríplex, na praia de Astúrias, à espera de orientação.

Às 8h50, três carros pararam diante do edifício Solaris. Deles, saltaram 12 sem-teto. Quatro rapazes pularam as grades do prédio, sendo seguidos por duas mulheres.

Um manifestante manteve aberto o portão de entrada de banhistas, permitindo o acesso dos demais. Ao surpreender operários na garagem, identificaram-se como integrantes do movimento e avisaram que iriam a apenas um apartamento: o 164-A.

Uma moradora apareceu no hall, perguntou quem eram aquelas pessoas e determinou que um funcionário acionasse a polícia.

Os militantes subiram 16 andares de escada, arrombaram a frágil porta do apartamento, travando-a com um pedaço de madeira, e fixaram bandeiras na varanda com vista para o mar. Da sacada, gritaram “se é do Lula, o apartamento é nosso”.

“Não tem arrego. Ou solta o Lula, ou não vai ter sossego”, era o coro. Só depois que cerca de 30 pessoas já estavam no prédio, outros 70 foram para sua portaria protestar. Quatro carros da Polícia Militar chegaram ao local.

DESOLAÇÃO

Dentro do apartamento, que está sendo leiloado por ordem do juiz Sergio Moro, o cenário é de degradação. Infiltrações marcam as paredes, inclusive ao redor do inoperante elevador instalado na sala, onde também há uma geladeira dúplex. Na cozinha, há fogão e micro-ondas.

Degraus da estreita escada estão lascados. Tábuas do píer que envolvem a piscina de águas turvas estão quebradas. Não há luz, nem água. A abertura de um registro deu início a um alagamento no segundo andar, obrigando seu fechamento.

Integrante da Frente Povo Sem Medo, Andreia Barbosa criticou a qualidade do material de construção. “Gente, é um apartamento de pobre, pequeno. Tanto escândalo por isso?”, disse outra manifestante.

Ao lado da moradora Renata Simões, 36, um segurança do condomínio foi à porta do apartamento na tentativa de negociar a saída. Filmou os sem-teto, afirmou que o apartamento estava lacrado por ordem judicial e perguntou se estavam cientes do que faziam. Sem sucesso.

Os ocupantes foram alertados, então, da aproximação de dois policiais, que acabaram desistindo da operação.

Orientados por líderes do movimento a suspender publicações de selfies em redes sociais e sem água, os sem-teto exploraram os cômodos do apartamento. Deitaram-se nas camas: duas beliches, uma de solteiro e outra de casal. Sentados no chão, outros comeram paçocas e bolachas.
Lá embaixo, advogados do movimento definiam com a polícia uma saída negociada. O MTST disse que só sairia quando houvesse ação de reintegração de posse, cujo pedido dependeria do real proprietário do imóvel. Era uma tentativa de mostrar que o imóvel não pertence a Lula.

A PM deu, no entanto, prazo de uma hora para a saída. Do contrário, invadiria o apartamento e prenderia todos os ocupantes.

Às 11h20, a coordenação do MTST orientou seus militantes a retirar as faixas e deixar o apartamento em dez minutos. O roteiro foi cumprido.

“O recado foi dado. Se o tríplex fosse do Lula, teria permitido ficar lá. Se não é, colocamos em xeque a sua prisão”, disse Boulos.

Uma sem-teto chegou a dizer que não era uma invasora, mas uma convidada para um festa promovida por Lula. No hall da entrada, os moradores não exibiam humor.

Elenilce Soares Medeiros se disse humilhada e com medo. “Tenho 66 anos. Meu coração e minha pressão foram a mil”, disse. Enquanto os sem-teto deixavam o prédio, alguns moradores os chamaram de comedores de pão com mortadela. Ao meio dia, eles voltaram a São Paulo e São Bernardo.

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